(UNESP - 2013 - 2a fase - Questão 11)
Texto 1
Para santo Tomás de Aquino, o poder político, por ser uma instituição divina, além dos fins temporais que justificam a ação política, visa outros fins superiores, de natureza espiritual. O Estado deve dar condições para a realização eterna e sobrenatural do homem. Ao discutir a relação Estado-Igreja, admite a supremacia desta sobre aquele. Considera a Monarquia a melhor forma de governo, por ser o governo de um só, escolhido pela sua virtude, desde que seja bloqueado o caminho da tirania.
Texto 2
Maquiavel rejeita a política normativa dos gregos, a qual, ao explicar “como o homem deve agir”, cria sistemas utópicos. A nova política, ao contrário, deve procurar a verdade efetiva, ou seja, “como o homem age de fato”. O método de Maquiavel estipula a observação dos fatos, o que denota uma tendência comum aos pensadores do Renascimento, preocupados em superar, através da experiência, os esquemas meramente dedutivos da Idade Média. Seus estudos levam à constatação de que os homens sempre agiram pelas formas da corrupção e da violência.
(Maria Lúcia Aranha e Maria Helena Martins. Filosofando, 1986. Adaptado.)
Explique as diferentes concepções de política expressadas nos dois textos
Gabarito:
Resolução:
As concepções políticas de Tomás de Aquino, ao representar as próprias noções medievais sobre o poder político, são influenciadas pelas noções gregas, majoritariamente aristotélicas, apesar de algumas ideias já encontrarem origem em Platão. Essas concepções são imbuídas por uma íntima relação entre ética e política, a partir de uma metafísica, em um sentido de que a política deve ser norteada por princípios absolutos e transcendentes, concebidos por uma ética superior e religiosa. A moral divina deve, portanto, fornecer regras e princípios para nortear a vida política, cujo melhor regime — em consonância com as noções gregas tanto aristotélicas quanto platônicas — é a monarquia, a qual distingue-se da tirania, a corrupção direta do poder monárquico. Então, o poder político tomista é concebido a partir da metafísica, de uma normatividade.
Maquiavel, ao contrário, inaugura a separação entre a ética e a política, fundando a ciência política como análise dos fatos sem o juízo de valor, fora de uma metafísica. Essa separação determina a distinção entre o fato e o ideal, isto é, daquilo que é, na realidade histórica e social, e daquilo que deve ser, no plano da normatividade e do ideal; a partir dessa distinção, Maquiavel introduz uma perspectiva política conforme a realidade factual, daquilo que ocorre em detrimento do que é ideal, pois, para ele, a política deve ser norteada pelas contingências históricas e não de ideais metafísicos. Logo, a corrupção é analisada a partir de uma observação empírica da realidade, em que se constata a constância desses atos.