(UFU - 2016 - 2ª FASE) O homem faz-se; ele não está pronto logo de início; ele se constrói escolhendo a sua moral; e a pressão das circunstâncias é tal que ele não pode deixar de escolher uma moral.
SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. Tradução de Ria Correia Guedes. In: ______. Sartre. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 1-32. p. 18.
A partir do fragmento e de seus conhecimentos sobre o assunto, responda:
A) Qual é o único critério para a escolha moral segundo Sartre?
B) Quando o filósofo afirma que o homem “não está pronto logo de início”, o que essa negativa vem refutar?
Gabarito:
Resolução:
a) Como não há uma essência pré-determinada para a existência humana, fundada sobre o nada e, por isso, completamente livre, o único critério para a escolha moral segundo Sartre é uma escolha que seja bom para todos, pois o ser humano é plenamente responsável por si mesmo, suas escolhas e como isso impacta na vida dos outros. Tudo aquilo que o indivíduo faz em função de suas escolhas apresenta uma função social. Quando se escolhe um projeto de vida pessoal, se escolhe para toda a humanidade. Cada ser humano é responsável por si próprio e por todos os outros. Na medida em que escolhemos determinados valores e formas de viver, fomentamos um modelo para os outros, a partir de parâmetros que consideramos aceitáveis e que sabemos que os outros vão aceitar. Nesse sentido, Sartre acredita que a ação de um homem diz respeito à toda a humanidade. Nada pode ser bom para um que não possa ser bom para todos.
b) Essa afirmativa refuta a ideia de uma essência anterior à existência. Segundo Sartre, o conceito de existência se dá na própria existência, isto é, não existe uma essência humana pré-determinada. A máxima existencialista é que a existência precede à essência, ou seja, não há uma essência ou uma definição pronta e acabada do que é o ser, mas esta é definida na existência humana, no concreto e em suas relações, de modo que o homem é entregue à própria liberdade, pois, fundado sobre o nada, sem que nada o defina, é obrigado a escolher o que fazer da própria identidade.