(UFU - 2015 - 2a FASE)
Tal é o eterno equivoco da liberdade, o de conhecer apenas o sentimento formal, subjetivo, abstraído dos objetos e fins que lhe são essenciais. Desse modo, a limitação dos instintos, da cobiça e da paixão, que só pertence ao indivíduo, é tida como uma limitação da liberdade. Mas antes de mais nada, tal limitação é pura e simplesmente a condição da qual surge a libertação, sendo a sociedade e o Estado as condições nas quais a liberdade se realiza.
HEGEL, G. W. F. Filosofia da história. 2. ed. Tradução de Maria Rodrigues e Hans Harden. Brasília/DF: Editora da UnB, 1998. p. 41.
Com base no texto acima, responda:
A) Quais são os impedimentos para a liberdade enquanto tal?
B) Por que o Estado é a condição para a liberdade em sua realidade concreta?
Gabarito:
Resolução:
a) Esses impedimentos provém da limitação dos sentidos, situada na dimensão autorreferencial ou subjetiva do indivíduo, representada pelos interesses e desejos particulares dos indivíduos nas suas relações privadas. Isso destaca o valor do espírito objeitvo para conter o que o indivíduo entende como liberdade. Sem essas limitações estabelecidas pela objetividade do espírito, teria uma liberdade subvertida.
b) Hegel busca relacionar a liberdade em sua dimensão objetiva ou institucional na figura do Estado e das instituições. Hegel acredita que, para o indivíduo, o resultado de tudo é a consciência de si. No entanto, a verdade efetiva reside apenas no todo: as partes se tornam racionais à medida que conscientemente formam o todo, uma vez que a consciência individual só existe em função do todo. O Estado tem esse papel de um todo ético e organizado, do qual não há nada acima, apenas outros Estados semelhantes que se reconhecem como iguais. Esse Estado é, para Hegel, aquilo que é em si e para si, ou seja, que tem a efetividade de sua universalidade ou totalidade plena. Os cidadãos fazem um acordo com o Estado porque este vai buscar, acima dos indivíduos e suas situações, a ética e a liberdade. Para Hegel, essa é a faceta principal do Estado moderno, culminando após a revolução francesa, que trouxe a preocupação com essas questões.