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Questão 40492

UFU 2008
Filosofia

(UFU - 2008)

Leia atentamente o texto a seguir sobre a teoria do hábito em David Hume.

E é certo que estamos aventando aqui uma proposição que, se não é verdadeira, é pelo menos muito inteligível, ao afirmarmos que, após a conjunção constante de dois objetos – calor e chama, por exemplo, ou peso e solidez –, é exclusivamente o hábito que nos faz esperar um deles a partir do aparecimento do outro.

HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Editora UNESP, 2004. p. 75.

Com base na Teoria de Hume e no texto acima, marque a alternativa INCORRETA, ou seja, aquela que de modo algum pode ser uma interpretação adequada desse texto.

A

A conjunção constante entre dois objetos explica a força do hábito e, consequentemente, o procedimento da inferência.

B

A hipótese do hábito é consequente com a teoria de Hume, de que todo o nosso conhecimento é construído por experiência e observação.

C

Se a causalidade fosse construída a priori e de modo necessário, não seria preciso recorrer à experiência e à repetição para que de uma causa fosse extraído o respectivo efeito.

D

O hábito jamais pode ser a base da inferência. Em virtude disso, os conceitos de causa e efeito jamais podem se aplicar a qualquer objeto da experiência.

Gabarito:

O hábito jamais pode ser a base da inferência. Em virtude disso, os conceitos de causa e efeito jamais podem se aplicar a qualquer objeto da experiência.



Resolução:

​​​​​Hume considera que as relações de causa e efeito resultam "apenas de uma regularidade ou repetição em nossa experiência de uma conjunção constante entre fenômenos que, por força do hábito acabamos por projetar na realidade, tratando-a como se fosse algo existente."

Para esse pensador, não existe uma verdadeira relação de causalidade. As relações de causa e efeito que acreditamos conhecer são resultado do hábito, ou seja, da repetição de experiências que nos permitem associar situações semelhantes e, posteriormente, elaborar uma conclusão geral (que parece dar ao resultado observado uma dependência em relação à sua causa). Somente a conexão entre a experiência e a repetição, que criam o hábito, podem levar ao reconhecimento de causas e efeitos.

A causalidade é uma forma do ser humano de perceber a realidade, uma ideia que deriva da reflexão sobre as operações da mente. São associações que o homem faz por hábito de observação e conexão, e não necessariamente uma conexão real entre causa e efeito, consequência do fluir das coisas, característica do mundo natural; é repetição da experiência e dos resultados obtidos, assimilando-se uma conexão entre ambos.

Todas as alternativas estão de acordo com as ideias de Hume e descrevem corretamente a teoria do hábito, com exceção da alternativa D.

D: O hábito sempre é a base da inferência. É o único meio pelo qual se pode aplicar os conceitos de causa e efeito aos objetos da experiência.

"[...] é exclusivamente o hábito que nos faz esperar um deles a partir do aparecimento do outro."

 

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