(UFU - 2004)
Agostinho escreveu a história de sua vida aos 43 anos de idade. Nas Confissões, mais do que o relato da conversão ao cristianismo, Agostinho apresenta também as teses centrais da sua filosofia. Tanto é assim que, ao narrar os primeiros anos de vida e a aquisição da linguagem, o autor já fazia menção à teoria da iluminação divina. Vejamos:
“Não eram pessoas mais velhas que me ensinavam as palavras, com métodos, como pouco depois o fizeram para as letras. Graças à inteligência que Vós, Senhor, me destes, eu mesmo aprendi, quando procurava exprimir os sentimentos do meu coração por gemidos, gritos e movimentos diversos dos membros, para que obedecessem à minha vontade.”
AGOSTINHO. Confissões. Trad. de J. Oliveira Santos e A. Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1987, p. 15.
Analise as assertivas abaixo.
I. A condição humana é mutável e perecível, por isso, não pode ser a mestra da verdade que o homem busca conhecer, ou seja, conhecimento da verdade não pode ser ensinado pelo homem, somente a Luz imutável de Deus pode conduzir à verdade.
II. A inteligência, dada por Deus, é idêntica à Luz imutável, que conduz ao conhecimento da verdade, ambas proporcionam a certeza de que o entendimento humano é divino e dotado da mesma força do Verbo de Deus, que a tudo criou.
III. A razão humana é iluminada pela luz interior da verdade. Assim, Agostinho formulou, pela primeira vez, na história da filosofia, a teoria das ideias inatas, cuja existência e certeza são independentes e autônomas em relação ao intelecto divino.
IV. O conhecimento daquilo que se dá exclusivamente à inteligência não é alcançado com as palavras de outros homens, porque elas soam de fora da mente de quem precisa aprender. Portanto, esta verdade só é ensinada pelo mestre interior.
Assinale a alternativa que contém as assertivas verdadeiras.
I e III
I e IV
II e III
II e IV
Gabarito:
I e IV
b) I e IV
I. Correta. A condição humana é mutável e perecível, por isso, não pode ser a mestra da verdade que o homem busca conhecer, ou seja, conhecimento da verdade não pode ser ensinado pelo homem, somente a Luz imutável de Deus pode conduzir à verdade.
A decadência e a miserabilidade humana são temas recorrentes na filosofia agostiniana, relegada a autores como Pascal e outros. Essa insuficiência humana na busca da verdade, da razão na apreensão de Deus, aponta para a necessidade da atuação divina sobre o homem, isto é, a iluminação de Deus no interior do homem para que este possa conhecer a verdade.
II. Incorreta. A inteligência, dada por Deus, é idêntica à Luz imutável, que conduz ao conhecimento da verdade, ambas proporcionam a certeza de que o entendimento humano é divino e dotado da mesma força do Verbo de Deus, que a tudo criou.
A inteligência humana não possui essa capacidade e atributo, pois é insuficiente na apreensão da verdade, que é eterna.
III. Incorreta. A razão humana é iluminada pela luz interior da verdade. Assim, Agostinho formulou, pela primeira vez, na história da filosofia, a teoria das ideias inatas, cuja existência e certeza são independentes e autônomas em relação ao intelecto divino.
Primeiro que Agostinho não foi o primeiro a afirmar ideias inatas e, segundo, ele certamente não disse que a existência e certeza das ideias são independentes e autônomas em relação ao intelecto divino, pois, na verdade, aquelas dependem deste.
IV. Correta. O conhecimento daquilo que se dá exclusivamente à inteligência não é alcançado com as palavras de outros homens, porque elas soam de fora da mente de quem precisa aprender. Portanto, esta verdade só é ensinada pelo mestre interior.
Essa é uma noção contida em De Magistro de Agostinho, que designa um mestre interior que ensina o homem no caminho da verdade.