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Questão 14612

UFU 2004
Filosofia

(UFU - 2004)

O fragmento seguinte é atribuído a Heráclito de Éfeso.

“O mesmo é em (nós?) vivo e morto, desperto e dormindo, novo e velho; pois estes, tombados além, são aqueles e aqueles de novo, tombados além, são estes”.

Os Pré -Socráticos. Trad. de José Cavalcante de Souza, 1ª ed. São Paulo: Abril Cultural. 1973, p. 93. (Os Pensadores)

A partir do fragmento citado, escolha a alternativa que melhor representa o pensamento de Heráclito.

A

Não existe a noção de “oposto” no pensamento de Heráclito, pois todas as coisas constituem um único processo de mudança que expressa a concórdia e a harmonia do “fluxo” contínuo da natureza

B

A equivalência de estados contrários com “o mesmo” exprime a alternância harmônica de polos opostos, pela qual um estado é transposto no outro, numa sucessão mútua, como o dia e a noite. Todas as Coisas são “Um”, toda a multiplicidade dos opostos constitui uma unidade, e todos os seres estão num fluxo eterno de sucessão de opostos em guerra.

C

Se o morto é vivo, o velho é novo, e o dormente é desperto, então não existe o múltiplo, mas apenas o como verdade profunda do mundo. A unidade primordial é a própria realidade da phvsis e a multiplicidade, apenas aparência.

D

A alternância entre polos opostos constitui um fluxo eterno, regido pela “guerra” e pela “discórdia”, que ocorre sem qualquer medida e proporção. A guerra entre contrários evidencia que a phvsis é caótica e denota o fato de que o pensamento de Heráclito é irracionalista.

Gabarito:

A equivalência de estados contrários com “o mesmo” exprime a alternância harmônica de polos opostos, pela qual um estado é transposto no outro, numa sucessão mútua, como o dia e a noite. Todas as Coisas são “Um”, toda a multiplicidade dos opostos constitui uma unidade, e todos os seres estão num fluxo eterno de sucessão de opostos em guerra.



Resolução:

b) Correta. A equivalência de estados contrários com “o mesmo” exprime a alternância harmônica de polos opostos, pela qual um estado é transposto no outro, numa sucessão mútua, como o dia e a noite. Todas as Coisas são “Um”, toda a multiplicidade dos opostos constitui uma unidade, e todos os seres estão num fluxo eterno de sucessão de opostos em guerra.
Heráclito, na teoria do fluxo universal, busca conceber um tipo de harmonia entre os contrários, em que os opostos são unidos numa ordem, uma unidade na multiplicidade.

 

a) Incorreta. Não existe a noção de “oposto” no pensamento de Heráclito, pois todas as coisas constituem um único processo de mudança que expressa a concórdia e a harmonia do “fluxo” contínuo da natureza.
O trecho intui que há, justamente, essa noção de oposto e a união dos contrários, como se diz, o "mesmo é em (nós?) vivo e morto, desperto e dormindo". Ou seja, embora haja a noção do fluxo contínuo e do processo de mudança, isso intui o conceito de oposto.

c) Incorreta. Se o morto é vivo, o velho é novo, e o dormente é desperto, então não existe o múltiplo, mas apenas o como verdade profunda do mundo. A unidade primordial é a própria realidade da physis e a multiplicidade, apenas aparência.
Na verdade, Heráclito concebe justamente o unidade do múltiplo, com a união dos contrários, ou seja, existe o múltiplo.

d) Incorreta. A alternância entre polos opostos constitui um fluxo eterno, regido pela “guerra” e pela “discórdia”, que ocorre sem qualquer medida e proporção. A guerra entre contrários evidencia que a physis é caótica e denota o fato de que o pensamento de Heráclito é irracionalista.
Na verdade, Heráclito concebe um tipo de harmonia na oposição, pois é, segundo ele, "da luta dos contrários é que nasce a harmonia".

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