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Questão 15183

UFU 2003
Filosofia

(UFU - 2003)

Leia com atenção o fragmento abaixo, extraído das Lições de Filosofia da História, do filósofo alemão G.W.F. Hegel.

“A finalidade do espírito universal é encontrar-se, voltar-se para si mesmo e encarar-se como realidade. Porém, o que poderia ser questionado é se essa vitalidade dos indivíduos e dos povos, quando buscam os seus interesses e os satisfazem, é também meio e instrumento de algo mais sublime e abrangente — a respeito do que eles nada sabem, e que realizam sem consciência.”

Analise as assertivas abaixo.

I. Quando Hegel fala da finalidade do espírito universal, ele refere-se a algo que se concretiza na história sob a forma do Estado, tendo como ápice o Estado Moderno, inspirado na revolução francesa, cuja constituição reuniu os direitos do homem, isto é, os direitos naturais, e os direitos do cidadão, ou seja, os direitos civis.
II. Aquilo que merece ser questionado conduz à refutação da vitalidade dos indivíduos e dos povos como agentes históricos, pois a edificação do Estado acontece graças à cadeia cega dos eventos humanos, que são arrastados pelo destino e sempre produziram, como resultado, o melhor dos mundos. Essa teoria foi enunciada por Leibniz.
III. A questão, levantada por Hegel, se a vitalidade “dos indivíduos e dos povos quando buscam os seus interesses e os satisfazem, é também meio e instrumento de algo mais sublime e abrangente”, encontra, no próprio texto da Filosofia da História, uma resposta afirmativa, pois Hegel acreditava que o Estado Moderno é resultado da astúcia da razão.
IV. O voltar-se para si é típico da visão da história como passado, essa visão não admite o progresso na história universal, de maneira que todos os eventos humanos concorrem para a ruína da sociedade humana. Por isso, o “voltar-se para si mesmo” equivale ao mito do eterno retorno, amplamente popularizado no século XIX com a filosofia de Nietzsche.

Assinale a alternativa que contém as assertivas verdadeiras.

A

II e IV

B

I e IV

C

II e III

D

I e III

Gabarito:

I e III



Resolução:

Hegel acredita que, para o indivíduo, o resultado de tudo é a consciência de si. No entanto, a verdade efetiva reside apenas no todo: as partes se tornam racionais à medida que conscientemente formam o todo, uma vez que a consciência individual só existe em função do todo. O Estado tem esse papel de um todo ético e organizado, do qual não há nada acima, apenas outros Estados semelhantes que se reconhecem como iguais. Esse Estado é, para Hegel, aquilo que é em si e para si, ou seja, que tem a efetividade de sua universalidade ou totalidade plena. Os cidadãos fazem um acordo com o Estado porque este vai buscar, acima dos indivíduos e suas situações, a ética e a liberdade. Para Hegel, essa é a faceta principal do Estado moderno, culminando após a revolução francesa, que trouxe a preocupação com essas questões.

A finalidade do espírito universal converge, então, para o Estado, que é o resultado da racionalização das partes da sociedade ao longo da história. Se funda no uso da razão para buscar a liberdade e a ética, preservando os direitos civis naturais dos indivíduos. Após a Revolução Francesa, o Estado moderno passou a se voltar essencialmente para essas questões.

 

II: O que é passível de questionamento leva à conclusão de que é impossível a vitalidade dos indivíduos e dos povos serem agentes históricos, uma vez que o Estado se construiu em função de uma cadeia cega de eventos e ações humanos. Hegel enuncia justamente o contrário: indivíduos e povos, atores no processo de desenvolvimento da racionalidade, são agentes históricos importantes no que diz respeito à formação do Estado moderno através da razão (e não de uma "cadeia cega de eventos").

IV. O voltar-se para si é compreender o todo do qual se faz parte para buscar o bem e a liberdade coletivos, missão cumprida pelo Estado moderno. Essa atitude possibilita o progresso.

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