Publicidade
Publicidade

Questão 23098

UFU 1999
Filosofia

(UFU - 1999)

Kant, filósofo alemão do séc. XVIII, realiza uma "revolução copernicana", ao afirmar que

I. o sujeito do conhecimento é a própria razão universal e não uma subjetividade pessoal e psicológica, pois é sujeito conhecedor.
II. por ser inata e não depender da experiência para existir, a razão, do ponto de vista do conhecimento, é anterior à experiência; sua estrutura é a "priori".
III. a experiência determina o conhecimento para a razão e fornece a forma (universal e necessária) do conhecimento.

Assinale

A

se as afirmações I e II são corretas.

B

se as afirmações I e III são corretas.

C

se apenas a afirmação I é correta.

D

se as afirmações II e III são corretas.

Gabarito:

se as afirmações I e II são corretas.



Resolução:

a) Correta. se as afirmações I e II são corretas.

 

Esta questão de vestibular possui dois tipos de problema, a saber, um de compreensão e outro de vocabulário. A inspiração que Kant retira de Copérnico é bastante simples de ser compreendida e não envolve nenhum “sujeito do conhecimento”, ou “razão universal”, “subjetividade pessoal”, “sujeito conhecedor”, “razão inata”, “ponto de vista do conhecimento”.

Para simplificar, primeiro distingamos entre os tipos de juízos sobre as coisas Kant diz que podemos fazer. Eles são três: 1) juízos analíticos (ou aqueles juízos nos quais já no sujeito encontramos o predicado, ou seja, são tautológicos e, por conseguinte, não se obtém por seu intermédio nenhum tipo de conhecimento); 2) juízos sintéticos a posteriori (ou aqueles juízos nos quais a experiência sensível está presente e se faz parte decisiva do julgamento, logo, esse tipo de juízo é particular e contingente); 3) juízos sintéticos a priori (ou aqueles juízos nos quais o predicado não está contido no sujeito e a experiência não constitui alguma parte decisiva do conteúdo, quer dizer, juízos nos quais se obtém conhecimento sobre algo, porém sem que a experiência seja relevante para a conclusão obtida, o que faz deste tipo de juízo universal e necessário).

Kant afirmava que a matemática e a física realizam justamente este último tipo de juízo. Ele, então, se perguntava se a metafísica também não era capaz de realizar este tipo de juízo. Para solucionar a questão: “é possível uma metafísica baseada em juízos sintéticos a priori?”, Kant irá modificar o ponto de vista da investigação da mesma maneira que fez Copérnico e, em vez de observar o objeto através do que a experiência sensível expõe, considerar a possibilidade de a faculdade mesma de conhecer constituir a priori o objeto – Copérnico fez algo similar quando, em vez de calcular o movimento dos corpos celestes através dos dados da experiência sensível (o suposto movimento do sol, etc.), calculou este movimento através da suposição de que o próprio observador (o homem sobre a Terra) se movia. Este a priori que Kant formula se encontra nas formas da sensibilidade, nas categorias do entendimento e no esquematismo, isto é, na sua filosofia transcendental, ou na sua filosofia sobre as condições de possibilidade do próprio conhecimento.

Questões relacionadas

Questão 14656

(UFU - 1999) O método argumentativo de Sócrates (469-399 a.C.) consistia em dois momentos distintos: a ironia e a maiêutica. Sobre a ironia socrática, pode-se afirmar que...
Ver questão

Questão 15414

(Ufu 1999) "A ideia de que os brasileiros são preguiçosos, não é, de modo algum, estranha à cultura do país. O herói nacional sem caráter, Macunaíma, retratado pelo modernista Mário de Andrade, vivia...
Ver questão

Questão 15423

(Ufu 1999) De acordo com a definição de fato social de Durkheim, escolha a alternativa correta.
Ver questão

Questão 23028

(UFU/1999)  Heráclito de Éfeso, filósofo pré-socrático, compreendia que   I. o ser é vir a ser. II. o vir a ser é a luta entre os contrários. III. a luta entre os contrários é o princípi...
Ver questão
Publicidade