(UFU - 1999)
O método argumentativo de Sócrates (469-399 a.C.) consistia em dois momentos distintos: a ironia e a maiêutica. Sobre a ironia socrática, pode-se afirmar que
I. tornava o interlocutor um mestre na argumentação sofística.
II. levava o interlocutor à consciência de que seu saber era baseado em reflexões, cujo conteúdo era repleto de conceitos vagos e imprecisos.
III. tinha um caráter purificador, à medida que levava o interlocutor a confessar suas próprias contradições e ignorâncias.
IV. tinha um sentido depreciativo e sarcástico da posição do interlocutor.
Assinale
se apenas a afirmação III é correta.
se as afirmações I e IV são corretas.
se apenas a afirmação IV é correta.
se as afirmações II e III são corretas.
Gabarito:
se as afirmações II e III são corretas.
CORRETAS:
II. levava o interlocutor à consciência de que seu saber era baseado em reflexões, cujo conteúdo era repleto de conceitos vagos e imprecisos.
A proposta da ironia socrática, quando o filósofo afirmava uma suposta ignorância total, era evitar responder para que o interlocutor viesse a dizer o que pensava, revelando conceitos vagos e imprecisos, e, sob a revelação dessas contradições, este viesse a refletir sobre tais conteúdos, sob o autoconhecimento e a reflexão da própria ignorância.
III. tinha um caráter purificador, à medida que levava o interlocutor a confessar suas próprias contradições e ignorâncias.
A ironia socrática, ao envolver a afirmação de uma ignorância do conhecimento e levando o interlocutor a falar sobre o que pensava, levava este a confessar suas próprias contradições e ignorâncias, conduzindo-o a um autoconhecimento.
INCORRETAS:
I. tornava o interlocutor um mestre na argumentação sofística.
Sócrates era totalmente contra a argumentação sofística, pois esta visava o convencimento do público através da habilidade com as palavras. O compromisso dos sofistas não era com a busca pela verdade; buscavam apenas fazer o público acreditar no que diziam.
IV. tinha um sentido depreciativo e sarcástico da posição do interlocutor.
A ironia socrática não dava à posição do interlocutor um sentido depreciativo e sarcástico. Funcionava, na verdade, como uma forma de se perceber a própria ignorância, reconhecendo que pouco se sabe sobre a verdade; somente assim, o interlocutor poderia se livrar de seus preconceitos e atingir o saber.