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Questão 59033

UFG 2014
Filosofia

Leia o trecho a seguir.

Eichmann repetia palavra por palavra as mesmas frases feitas e clichês toda vez que se referia a um incidente ou acontecimento. O que ele dizia era sempre a mesma coisa, expressa com as mesmas palavras. Quanto mais se ouvia Eichmann, mais óbvio ficava que sua incapacidade de falar estava intimamente relacionada com sua incapacidade de pensar.

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p.62-63.

Ao acompanhar o julgamento do nazista Eichmann no Tribunal de Jerusalém, Hannah Arendt elabora uma nova percepção sobre o réu. Na análise da autora, Eichmann, acusado de crimes contra a humanidade, era um

A

alienado que desconhecia as práticas genocidas implementadas pelo III Reich devido ao seu baixo cargo na hierarquia nazista.

B

burocrata que, incapaz de juízo próprio, se restringia a obedecer e a executar ordens condizentes com o sistema legal nazista.

C

sádico que não conseguia pensar nem refletir devido ao seu ódio antissemita e a sua maldade intrínseca.

D

técnico que priorizava a eficiência, tornando-se antissocial, lacônico e incapaz de estabelecer empatia com qualquer outro ser humano.

Gabarito:

técnico que priorizava a eficiência, tornando-se antissocial, lacônico e incapaz de estabelecer empatia com qualquer outro ser humano.



Resolução:

d) Correta. técnico que priorizava a eficiência, tornando-se antissocial, lacônico e incapaz de estabelecer empatia com qualquer outro ser humano.
A questão trabalha a noção de banalidade do mal desenvolvida por Arendt, conceito com o qual a filósofa buscou explicar como indivíduos promoveram o fenômeno do totalitarismo nazista — do próprio totalitarismo em si mesmo — por meio da falta de consciência individual, do diálogo interno consigo próprio, que o levaria à reflexão; essa autonomia moral é substituída pela heteronomia em virtude dos ditames totalitários do Estado, por uma falta de responsabilidade individual, pois o indivíduo busca apenas cumprir o seu papel, sem pensar muito nele. Assim, torna-se em um técnico, alguém que prioriza a eficiência, mas não reflete sobre a própria prática e as implicações morais do que está fazendo; é um indivíduo antissocial, pois ignora o outro, incapaz de estabelecer empatia, já que dá um privilégio à técnica.

 

a) Incorreta. alienado que desconhecia as práticas genocidas implementadas pelo III Reich devido ao seu baixo cargo na hierarquia nazista.
Ele não desconhecia  as práticas genocidas implementadas pelo III Reich, apenas buscava ignorá-las para cumprir o seu papel, sem se responsabilizar pela própria prática.

b) Incorreta. burocrata que, incapaz de juízo próprio, se restringia a obedecer e a executar ordens condizentes com o sistema legal nazista.
Essa alternativa é quase certa, colocada com pegadinha na questão. Arendt cita o conceito de burocrata em sua análise da banalidade do mal como alguém que se restringia a obedecer e a executar ordens condizentes com o sistema legal de um regime totatitário, porém, embora a análise seja no contexto nazista, o conceito pode ser aplicado em qualquer ambiente em que haja exercício de um poder totalitário. Além disso, o burocrata não é incapaz de juízo próprio, mas ele escolhe não exercê-lo para apenas obedecer ordens.

c) Incorreta. sádico que não conseguia pensar nem refletir devido ao seu ódio antissemita e a sua maldade intrínseca.
A análise da banalidade do mal é, justamente, a análise de indivíduos que, por falta de juízo próprio e de autoreflexão, se isentam da responsabilidade individual para apenas obedecer regras, mas não por uma disposição moral sádica ou por ódio aos judeus; eles apenas desejavam permanecer confortáveis na própria irreflexão.

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