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Questão 41132

UEL 2010
Filosofia

(Uel 2010) Observe a tira e leia o texto a seguir:

O ponto de vista moral, a partir do qual podemos avaliar imparcialmente as questões práticas, é seguramente interpretado de diferentes maneiras. Mas ele não está livre e arbitrariamente à nossa disposição, já que releva a forma comunicativa do discurso racional. Impõe-se intuitivamente a todos os que estejam abertos a esta forma reflexiva da ação orientada para a comunicação.

(HABERMAS, J. Comentários à Ética do Discurso. Tradução de Gilda Lopes Encarnação. Lisboa: Instituto Piaget, 1999. p. 101-102.)

Com base na tira e no texto, é correto afirmar que a ética do discurso de Habermas

A

baseia-se em argumentos de autoridade prescritos universalmente e assegurados, sobretudo, pelo lastro tradicional dos valores partilhados no mundo da vida. 

B

pauta-se em argumentos de utilidade, os quais impõe o dever de proporcionar, enquanto benefício, o maior bem ou a maior felicidade aos envolvidos. 

C

funda-se em argumentos racionais sob condições simétricas de interação, amparados em pretensões de validade, tais como verdade, sinceridade e correção. 

D

constrói-se no uso de argumentos que visam o aconselhamento e a prudência, salientando a necessidade de ações retas do ponto de vista do caráter a da virtude. 

E

realiza-se por meio de argumentos intuicionistas, fazendo respeitar o que cada pessoa carrega em sua biografia quanto à compreensão do que é certo ou errado. 

Gabarito:

funda-se em argumentos racionais sob condições simétricas de interação, amparados em pretensões de validade, tais como verdade, sinceridade e correção. 



Resolução:

c) Correta. funda-se em argumentos racionais sob condições simétricas de interação, amparados em pretensões de validade, tais como verdade, sinceridade e correção.
O texto está relacionando a perspectiva de Habermas sobre a relação entre ética e comunicação. A moralidade ou a ética — noções e ideias básicas a partir das quais nos avaliamos e damos valor às coisas, realizamos nossas escolhas, por critérios do que é certo e errado, traz muitas concepções distintas. Há várias noções de moralidade, vários pontos de vista sobre o que é certo e errado. A opinião moral não se submete às nossas condições, da maneira que queremos, pois precisamos expressaraquilo que consideramos correto. Nenhuma perspectiva ética é realizada, segundo Habermas, sem uma forma comunicativa, sem um discurso racional sobre essas concepções morais, pois a racionalidade também está ligada ao discurso e a linguagem, às palavras. A opinião moral das pessoas são construídas em intuições quando essas mesmas pessoas são abertas a reflexão sobre a ação, de modo que suas reflexões são construídas com base na linguagem, comunicando suas perspectivas consigo mesmas e com os outros. Portanto, a ética implica numa autoconsciência, numa reflexão racional sobre a ação, e isso implica na comunicação. Logo, para Habermas, a ação comunicativa surge como uma interação de, no mínimo dois sujeitos, capazes de falar e agir, que estabelecem relações interpessoais com o objetivo de alcançar uma compreensão sobre a situação em que ocorre a interação e sobre os respectivos planos de ação com vistas a coordenar suas ações pela via do entendimento, o que demonstra que a ética do discurso funda-se em argumentos racionais sob condições simétricas de interação, amparados em pretensões de validade, tais como verdade, sinceridade e correção.

  

a) Incorreta. baseia-se em argumentos de autoridade prescritos universalmente e assegurados, sobretudo, pelo lastro tradicional dos valores partilhados no mundo da vida. 
A ética do discurso não se baseia em argumentos de autoridade prescritos universalmente e assegurados, mas na interação entre dois sujeitos.

b) Incorreta. pauta-se em argumentos de utilidade, os quais impõe o dever de proporcionar, enquanto benefício, o maior bem ou a maior felicidade aos envolvidos.
Habermas não defende que os interlocutores se instrumentalizem reciprocamente em prol de interesses particulares. Utilizar os seres humanos como meios para atingir um fim é aderir justamente à razão instrumental, objeto de crítica de Habermas, o qual propõe que valhamos da razão comunicativa - esta, que considera os indivíduos como um fim em si mesmos. Nesse sentido, manipular opiniões de outras pessoas seria um meio para atingir um fim (benefícios pessoais, por exemplo) impediria o consenso uma vez que a opinião estaria sendo manipulada, ou seja, a lógica racional impressa seria a instrumental. 

d) Incorreta. constrói-se no uso de argumentos que visam o aconselhamento e a prudência, salientando a necessidade de ações retas do ponto de vista do caráter a da virtude. 
Habermas não se fundamenta numa ética das virtudes, como Aristóteles.

e) Incorreta. realiza-se por meio de argumentos intuicionistas, fazendo respeitar o que cada pessoa carrega em sua biografia quanto à compreensão do que é certo ou errado. 
A ética do discurso impõe-se intuitivamente, mas os argumentos devem ser expressos racionalmente, com justificação e validade.

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