(UEL - 2010)
Observe a tira e leia o texto a seguir:
Mas há um enganador, não sei quem, sumamente poderoso, sumamente astucioso que, por indústria, sempre me engana. Não há dúvida, portanto, de que eu, eu sou, também, se me engana: que me engane o quanto possa, nunca poderá fazer, porém, que eu nada seja, enquanto eu pensar que sou algo. De sorte que, depois de ponderar e examinar cuidadosamente todas as coisas é preciso estabelecer, finalmente, que este enunciado eu, eu sou, eu, eu existo é necessariamente verdadeiro, todas as vezes que é por mim proferido ou concebido na mente.
(DESCARTES, R. Meditações sobre Filosofia Primeira. Tradução, nota prévia e revisão de Fausto Castilho. Campinas: Unicamp, 2008, p. 25.)
Com base na tira e no texto, sobre o cogito cartesiano, é correto afirmar:
A existência decorre do ato de aparecer e se apresenta independente da essência constitutiva do ser.
A existência é manifesta pelo ato de pensar que, ao trazer à mente a imagem da coisa pensada, assegura a sua realidade.
A existência é concebida pelo ato originário e imaginativo do pensamento, o qual impede que a realidade seja mera ficção.
a existência é a plenitude do ato de exteriorização dos objetos, cuja integridade é dada pela manifestação da sua aparência.
A existência é a evidência revelada ao ser humano pelo ato próprio de pensar.
Gabarito:
A existência é a evidência revelada ao ser humano pelo ato próprio de pensar.
e) Correta. A existência é a evidência revelada ao ser humano pelo ato próprio de pensar.
A existência do sujeito é demonstrada pelo ato próprio de pensar, pois, ao pensar, deve-se supor uma consciência que pensa, da qual não se pode duvidar. Daí deriva-se a afirmação: penso, logo existo. Como expresso o texto: "[...] De sorte que, depois de ponderar e examinar cuidadosamente todas as coisas é preciso estabelecer, finalmente, que este enunciado eu, eu sou, eu, eu existo é necessariamente verdadeiro, todas as vezes que é por mim proferido ou concebido na mente".
a) Incorreta. A existência decorre do ato de aparecer e se apresenta independente da essência constitutiva do ser.
Essa é uma ironia que a televisão apresenta do pensamento cartesiano, no sentido de que o ato de aparecer e ser famoso constitui a existência do sujeito, sem o qual ele não se vê como existente. Mas a perspectiva cartesiana passa por uma interiorização da reflexão como construção da existência.
b) Incorreta. A existência é manifesta pelo ato de pensar que, ao trazer à mente a imagem da coisa pensada, assegura a sua realidade.
A existência não assegura sua realidade por uma imagem de algo, já que a imagem é a expressão de uma figura externa ao sujeito, ato da sensação, o que não pode assegurar a existência do sujeito.
c) Incorreta. A existência é concebida pelo ato originário e imaginativo do pensamento, o qual impede que a realidade seja mera ficção.
A existência não é concebida pelo ato originário e imaginativo do pensamento, pois o pensamento não cria a existência, tampouco a imaginação possui um papel na determinação do sujeito. O pensamento não cria algo, mas dá a certeza da existência do sujeito, pois, para pensar, deve haver um sujeito que pensa; e a imaginação não possui um papel na determinação da existência, pois está ligada aos sentidos.
d) Incorreta. a existência é a plenitude do ato de exteriorização dos objetos, cuja integridade é dada pela manifestação da sua aparência.
A existência não é a plenitude do ato de exteriorização dos objetos, como manifestação da aparência, pois estes são externos, e o estabelecimento da existência passa por uma atividade interna, no pensamento.