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Questão 41025

UEL 2009
Filosofia

(Uel 2009)  A utilização de organismos geneticamente modificados, já presente em alimentos como soja e milho, remete para a questão dos limites éticos da pesquisa.

Tendo presente a obra de Jürgen Habermas, é correto afirmar.

A

O debate sobre as consequências éticas da ciência, especialmente da biotecnologia, deve ocorrer a posteriori para não atrapalhar um possível progresso resultante das novas descobertas científicas.

B

A pesquisa com seres humanos, sobretudo quando envolve a possibilidade futura de intervenções terapêuticas e de aperfeiçoamento, requer que se faça uma clara distinção entre eugenia positiva e negativa.

C

Para que a ciência progrida e as pesquisas avancem na direção de novas descobertas, a ciência necessita estar sintonizada com o princípio da neutralidade científica.

D

Diante da inserção dos laboratórios de pesquisa na lógica de mercado, caso seja possível alterar geneticamente características dos bebês, caberá aos pais estabelecer limites éticos para as possibilidades oferecidas.

E

O ritmo lento da produção legislativa frente à rapidez das novas descobertas científicas torna sem sentido estabelecer limites ético-normativos para questões que envolvem a ciência.

Gabarito:

A pesquisa com seres humanos, sobretudo quando envolve a possibilidade futura de intervenções terapêuticas e de aperfeiçoamento, requer que se faça uma clara distinção entre eugenia positiva e negativa.



Resolução:

A: O debate sobre as consequências éticas da ciência, especialmente da biotecnologia, deve ocorrer a priori, para não perder de vista o limite entre prevenção e eugenia e orientar o possível progresso resultante das novas descobertas científicas.

B: De modo geral, a eugenia positiva se refere à intervenções genéticas terapêuticas e a eugenia negativa se trata de intervenções genéticas de aperfeiçoamento. No entanto, a separação entre tais práticas é flutuante, exigindo a imposição de uma fronteira normativa que dê precisão às suas dimensões. 

Esta ausência de limites entre eugenia positiva e negativa é um argumento na defesa de uma eugenia liberal, que não estabelece tais limites. Com relação a essa perspectiva, Habermas afirma que a disseminação e normalização do uso de embriões para pesquisas leva à perda da sensibilidade moral para os limites dos cálculos de custo-benefício. Essencialmente, é difícil respeitar a fronteira entre a seleção de fatores hereditários indesejáveis e a otimização de fatores desejáveis, porque este limite, entre a prevenção do nascimento de uma criança gravemente doente e o aperfeiçoamento do patrimônio hereditário (uma decisão eugênica), não é mais demarcado.

O problema da delimitação entre prevenção e eugenia é uma questão que exige atenção político-legislativa, enfatizando a importância de impôr limites normativos que disciplinem tais práticas, para evitar que, eventualmente, a raça humana possa controlar sua própria evolução biológica.

C: Habermas tece uma crítica à concepção positivista de neutralidade científica. A razão, quando é reduzida à racionalidade técnico-científica, perde sua dimensão mais ampla e seu caráter de auto-referencialidade e criticidade. Por isso, o autor propôs o paradigma da comunicação, segundo o qual o sujeito que conhece não é mais definido exclusivamente como aquele que se relaciona com objetos para conhecer e dominá-los. Habermas observa o entendimento intersubjetivo entre sujeitos capaz de falar e agir, consolidando uma racionalidade processual — a racionalidade comunicativa. Assim, desmonta a pretensa noção de "neutralidade" científica. 

D: As possibilidades trazidas pela alteração genética de características dos bebês devem ter limites éticos estabelecidos previamente (e não pelos pais).

E:  O ritmo lento da produção legislativa frente à rapidez das novas descobertas científicas torna imprescindível estabelecer limites ético-normativos para questões que envolvem a ciência.

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