(UEL – 2010)
Leia o texto a seguir:
O principal argumento humeano contra a explicação da inferência causal pela razão era que este tipo de inferência dependia da repetição, e que a faculdade chamada “razão” padecia daquilo que se pode chamar uma certa “insensibilidade à repetição”, ou seja, uma certa indiferença perante a experiência repetida. Em completo contraste com isso, o princípio defendido por nosso filósofo, um princípio para designar o qual propôs os nomes de “costume ou hábito”, foi concebido como uma disposição humana caracterizada pela sensibilidade à repetição, podendo assim ser considerado um princípio adequado à explicação dos raciocínios derivados de experiências repetidas. (MONTEIRO, J. P. Novos Estudos Humeanos. São Paulo: Discurso Editorial, 2003, p. 41)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o empirismo, é correto afirmar que Hume
atribui importância à experiência como fundamento do conhecimento dedutivo obtido a partir da inferência das relações causais na natureza.
corrobora a afirmação de que a experiência é insuficiente sem o uso e a intervenção da razão na demonstração do nexo causal existente entre os fenômenos naturais.
confere exclusividade à matemática como condição de fundamentação do conhecimento acerca dos fenômenos naturais, pois, empiricamente, constata que a natureza está escrita em caracteres matemáticos.
demonstra que as relações causais obtidas pela experiência representam um conhecimento guiado por hábitos e costumes e, sobretudo, pela crença de que tais relações serão igualmente mantidas no futuro.
evidencia a importância do racionalismo, sobretudo as idéias inatas que atestam o nexo causal dos fenômenos naturais descobertos pela experiência.
Gabarito:
demonstra que as relações causais obtidas pela experiência representam um conhecimento guiado por hábitos e costumes e, sobretudo, pela crença de que tais relações serão igualmente mantidas no futuro.
d) Correta. demonstra que as relações causais obtidas pela experiência representam um conhecimento guiado por hábitos e costumes e, sobretudo, pela crença de que tais relações serão igualmente mantidas no futuro.
Hume questiona qual a natureza dos raciocínios humanos sobre a realidade e qual o fundamento das conclusões que derivam da experiência. Afirma que todos os fatos são exteriores entre si e não há nada neles que seja interior e intrínseco, ou que os relacione necessariamente uns aos outros; assim, a relação de causalidade é uma crença baseada no hábito. O filósofo indica que as pessoas associam ideias e a legitimidade dessa associação decorre do hábito (ou costume).
Enquanto empirista, Hume critica lógicas que não podem ser comprovadas realmente, como a dedução e a indução.
a) Incorreta. atribui importância à experiência como fundamento do conhecimento dedutivo obtido a partir da inferência das relações causais na natureza.
Hume de fato atribui importância à experiência, mas não como fundamento do conhecimento dedutivo obtido a partir da inferência das relações causais na natureza, pois a experiência é fundamento do conhecimento indutivo obtido a partir da repetição de experiências das quais são derivadas hábitos mentais denominados como relações causais.
b) Incorreta. corrobora a afirmação de que a experiência é insuficiente sem o uso e a intervenção da razão na demonstração do nexo causal existente entre os fenômenos naturais.
A razão não pode demonstrar o nexo causal existente entre os fenômenos naturais, pois o que ela mostra é um hábito mental depurado de experiências repetidas.
c) Incorreta. confere exclusividade à matemática como condição de fundamentação do conhecimento acerca dos fenômenos naturais, pois, empiricamente, constata que a natureza está escrita em caracteres matemáticos.
Hume não concebe que a natureza está escrita em caracteres matemáticos, pois isso seria a confirmação de teses racionalistas.
e) Incorreta. evidencia a importância do racionalismo, sobretudo as idéias inatas que atestam o nexo causal dos fenômenos naturais descobertos pela experiência.
Como empirista, Hume recusa o racionalismo, sobretudo a concepção de ideias inatas.