(UEL - 2008)
Leia o seguinte texto de Descartes:
[...] considerei em geral o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e certa, pois, como acabara de encontrar uma proposição que eu sabia sê-lo inteiramente, pensei que devia saber igualmente em que consiste essa certeza. E, tendo percebido que nada há no “penso, logo existo” que me assegure que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, pensei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos clara e distintamente são todas verdadeiras.
(DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 57.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento cartesiano, é correto afirmar:
Para Descartes, a proposição “penso, logo existo” não pode ser considerada como uma proposição indubitavelmente verdadeira.
Embora seja verdadeira, a proposição “penso, logo existo” é uma tautologia inútil no contexto da filosofia cartesiana.
Tomando como base a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente.
Descartes é um filósofo cético, uma vez que afirma que não é possível se ter certeza sobre a verdade de qualquer proposição.
Tomando como exemplo a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que uma proposição qualquer só pode ser considerada como verdadeira se ela tiver sido provada com base na experiência.
Gabarito:
Tomando como base a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente.
c) Correta. Tomando como base a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente.
Descartes toma essa proposição como regra e base de evidência porque — ao examinar que, para pensar, é necessário existir, e, ao pensar — percebe os primeiros atos claros e distintos após o estabelecimento da dúvida radical. A dúvida é um ato do pensamento e o pensamento um ato do espírito; a dúvida não pode alcanar o espírito, pois, assim, não seria possível duvidar, de modo que o espírito é o primeiro conceito claro e distinto que se erige, fundamento do conhecimento.
a) Incorreta. Para Descartes, a proposição “penso, logo existo” não pode ser considerada como uma proposição indubitavelmente verdadeira.
Na verdade, para Descartes, essa é a primeira proposição percebida como indubitavelmente verdadeira, pois, ao duvidar, ele pensa, e, se pensa, existe, de modo que disso não se pode duvidar.
b) Incorreta. Embora seja verdadeira, a proposição “penso, logo existo” é uma tautologia inútil no contexto da filosofia cartesiana.
Ao contrário, no contexto da filosofia cartesiana, dessa proposição conclui-se o fundamento do conhecimento e de outras noções.
d) Incorreta. Descartes é um filósofo cético, uma vez que afirma que não é possível se ter certeza sobre a verdade de qualquer proposição.
Descartes não é cético, pois a sua dúvida é metodológica e busca fundamentar uma crítica ao ceticismo que enuncia a impossibilidade do conhecimento.
e) Incorreta. Tomando como exemplo a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que uma proposição qualquer só pode ser considerada como verdadeira se ela tiver sido provada com base na experiência.
A experiência é recusada totalmente pelo racionalismo cartesiano, pois as coisas sensíveis são colocadas em dúvida.