Publicidade
Publicidade

Questão 15221

UEL 2008
Filosofia

(UEL - 2008)

Para Kant, a moral não é a doutrina que nos ensina como nos tornamos felizes, mas sim a doutrina que ensina como devemos agir para nos tornarmos dignos da felicidade.

(KANT, I. Crítica da razão prática. Tradução de Artur Morão. Lisboa: Ed. 70, 1986. p. 149.)

Com base nos conhecimentos sobre a moral em Kant, é correto afirmar:

A

O indivíduo que segue os mandamentos divinos por sincero amor a Deus é digno da felicidade.

B

É digno da felicidade aquele que luta pela justiça social.

C

Kant considera ser papel da sociedade decidir quem é digno da felicidade.

D

É digno da felicidade o indivíduo que age segundo a autonomia da vontade.

E

São dignos da felicidade os indivíduos que agem por compaixão.

Gabarito:

É digno da felicidade o indivíduo que age segundo a autonomia da vontade.



Resolução:

d) Correta. É digno da felicidade o indivíduo que age segundo a autonomia da vontade.
Para Kant, a autonomia da vontade expressa a liberdade, segundo a razão, pois a autonomia é o fundamento de toda a moralidade das ações humanas. Esta autonomia indica a consciência racional de uma lei moral universal, que vale para a vontade de todos os seres racionais. Isto é, não é uma liberdade enquanto a capacidade para realizar o que se bem deseja, porém enquanto a determinação da vontade humana para a lei racional. Este indivíduo torna-se digno da felicidade ao orientar a sua vontade segundo os critérios do imperativo categórico, a razão moral universal.

 

a) Incorreta. O indivíduo que segue os mandamentos divinos por sincero amor a Deus é digno da felicidade.
Kant busca fundamentar a sua ética não em princípios divinos — embora, também, não os negue — mas meramente na razão, uma proposta de lei natural que leva em conta um entendimento universal e necessário.

b) Incorreta. É digno da felicidade aquele que luta pela justiça social.
Além de, no trecho, não ser inferida tal ideia, a ética kantiana não tem por base uma finalidade social, a partir de uma noção consequencialista, mas o dever moral, com fundamento racional.

c) Incorreta. Kant considera ser papel da sociedade decidir quem é digno da felicidade.
Kant não concebe que o critério para julgar ações morais seja a sociedade, umas espécie de moral social, que leva em conta o que é convencional e não o que é universal e necessário. O filósofo estabelece o critério de juízo a partir da razão.

e) Incorreta. São dignos da felicidade os indivíduos que agem por compaixão.
Kant defende que ações que nascem da compaixão e do altruísmo não possuem valor moral, pois esse sentimento é uma inclinação passiva, não uma determinação ativa da vontade segundo o imperativo categórico.

Questões relacionadas

Questão 14689

(Uel 2008)  Na República, Platão faz a seguinte consideração sobre os poetas:               [...] devemos começar por vigiar os autores de fábulas, e selecionar as que forem boas, e proscrever as más....
Ver questão

Questão 15056

(Uel 2008) Leia o texto a seguir:Uma notável virada na história do casamento teve início na década final do século XX, com a institucionalização oficial do casamento homossexual, ou “parceria”. [...]...
Ver questão

Questão 15102

(UEL - 2008) Leia o seguinte texto de Descartes: Essas longas cadeias de razões, todas simples e fáceis, de que os geômetras costumam se utilizar para chegar às demonstra&...
Ver questão

Questão 15110

(UEL - 2008) Leia o seguinte texto de Descartes: [...] considerei em geral o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e certa, pois, como acabara de encontra...
Ver questão
Publicidade