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Questão 15225

UEL 2005
Filosofia

(UEL - 2005)

“É na verdade conforme ao dever que o merceeiro não suba os preços ao comprador inexperiente, e quando o movimento do negócio é grande, o comerciante esperto também não faz semelhante coisa, mas mantém um preço fixo geral para toda a gente, de forma que uma criança pode comprar em sua casa tão bem como qualquer outra pessoa. É-se, pois servido honradamente; mas isto ainda não é bastante para acreditar que o comerciante tenha assim procedido por dever e princípios de honradez; o seu interesse assim o exigia; mas não é de aceitar que ele além disso tenha tido uma inclinação imediata para os seus fregueses, de maneira a não fazer, por amor deles, preço mais vantajoso a um do que outro”.

(KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. São Paulo: Abril Cultural, 1980. p. 112.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o conceito de dever em Kant, considere as afirmativas a seguir, sobre a ação do merceeiro.

I. É uma ação correta, isto é, conforme o dever.
II. É moral, pois revela honestidade na relação com seus clientes.
III. Não é uma ação por dever, pois sua intenção é egoísta.
IV. É honesta, mas motivada pela compaixão aos semelhantes.

Estão corretas apenas as afirmativas:

A

I e II.

B

I e III.

C

II e IV.

D

I, III e IV.

E

II, III e IV.

Gabarito:

I e III.



Resolução:

b) I e III.

 

I. Correta. É uma ação correta, isto é, conforme o dever.
A ação é correta porque está conforme o dever, orientado pelo imperativo categórico universal, isto é, "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal">

II. Incorreta. É moral, pois revela honestidade na relação com seus clientes.
A ética deontológica de Kant não se estabelece na relação entre os indivíduos, mas no dever moral.

III. Correta. Não é uma ação por dever, pois sua intenção é egoísta.
A ética deontológica, baseada no dever, de Kant se baseia numa coerência entre a motivação e a ação, pois eu devo ter os motivos corretos para ação, segundo o dever, a noção do imperativo categórico universal. Uma boa vontade é uma vontade que age por dever, aquilo que é incondicionalmente bom e que, portanto, é uma vontade livre de inclinações empíricas e que age a partir da representação da lei moral.

IV. Incorreta. É honesta, mas motivada pela compaixão aos semelhantes.
A compaixão não é elogiável para Kant, pois tem inclinações empíricas e não é uma ação segundo o dever.

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