(UEL - 2004)
“Para Hume, portanto, a causalidade resulta apenas de uma regularidade ou repetição em nossa experiência de uma conjunção constante entre fenômenos que, por força do hábito acabamos por projetar na realidade, tratando-a como se fosse algo existente. É nesse sentido que pode ser dito que a causalidade é uma forma nossa de perceber o real, uma idéia derivada da reflexão sobre as operações de nossa própria mente, e não uma conexão necessária entre causa e efeito, uma característica do mundo natural.”
(MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 183.)
De acordo com o texto e os conhecimentos sobre causalidade em Hume, é correto afirmar:
A experiência prova que a causalidade é uma característica do mundo natural.
O conhecimento das relações de causa e efeito decorre da experiência e do hábito.
A simples observação de um fenômeno possibilita a inferência de suas causas e efeitos.
É impossível obter conhecimento sobre a relação de causa e efeito entre os fenômenos.
O conhecimento sobre as relações de causa e efeito independe da experiência.
Gabarito:
O conhecimento das relações de causa e efeito decorre da experiência e do hábito.
b) Correta. O conhecimento das relações de causa e efeito decorre da experiência e do hábito.
O filósofo situa-se na perspectiva empirista, e, por isso, não acredita que haja conceitos inatos na mente, isto é, nenhuma ideia a priori, pois todas as nossas ideias, para Hume, são adquiridas por meio da experiência sensorial. Quando Hume vai questionar a problemática da causa e efeito, está colocando essa crítica contra uma escola de pensamento, o racionalismo — oposto ao empirismo; o racionalismo, por sua vez, defende a existência de ideias inatas e necessárias, como a matemática.
O conceito de causa e efeito é construído a partir de uma noção apriorística da experiência; explicando melhor, julgamos as nossas experiências, que algo causa outro algo, e que aquilo é causado por isto, por meio de uma noção racional que é anterior à experiência. Toda noção, por sua vez, é uma abstração, ou seja, é algo que é sempre necessário e universal; explicando, a relação de causa e efeito, por ser uma noção, sempre irá ocorrer, ou seja, o sol (causa) sempre irá aquecer uma pedra (efeito). Isso que eu expliquei é afirmado pela visão racionalista.
O que o Hume quer fazer é questionar justamente essa ideia, afirmando que a noção adquirida de causa e efeito não foi da razão pura, mas de uma experiência da realidade. Porém, ele entende que, pela experiência, não podemos determinar se um conceito é universal e necessário, que irá ocorrer sempre; por exemplo, pela experiência somente, não consigo afirmar que o sol irá aquecer para sempre, no futuro, a pedra. Então, numa posição bem radical, ele vai afirmar que toda noção de relação de causa e efeito é apenas um hábito da mente por ver sempre a mesma coisa ocorrendo.
a) Incorreta. A experiência prova que a causalidade é uma característica do mundo natural.
A causalidade não pode ser demonstrada no mundo natural.
c) Incorreta. A simples observação de um fenômeno possibilita a inferência de suas causas e efeitos.
As causas e efeitos de um fenômeno não podem ser inferidas, pois são apenas efeitos psicológicos segundo Hume.
d) Incorreta. É impossível obter conhecimento sobre a relação de causa e efeito entre os fenômenos.
e) Incorreta. O conhecimento sobre as relações de causa e efeito independe da experiência.
O conhecimento sobre as relações de causa e efeito depende da experiência.