(FUVEST - 2007 - 1a fase) "Porque todos os córregos aqui são misteriosos - somem-se solo a dentro, de repente, em fendas de calcário, viajando, ora léguas, nos leitos subterrâneos, e apontando, muito adiante, num arroto ou numa cascata de rasgão...."
João Guimarães Rosa, "Sagarana", 2001.
Neste trecho, o autor
utiliza o sentido figurado para descrever como ocorre a infiltração das águas nos diversos tipos de rochas.
utiliza-se da metáfora "córregos misteriosos" para retratar o desconhecimento dos cientistas a respeito dos rios subterrâneos.
relata o turbilhão de águas superficiais, comum em áreas de terrenos cristalinos e chuvas torrenciais.
descreve uma situação inexistente de processos fluviais com a intenção de utilizá-la como recurso literário.
descreve, em linguagem literária, como é o comportamento de águas subterrâneas e superficiais em rochas calcárias.
Gabarito:
descreve, em linguagem literária, como é o comportamento de águas subterrâneas e superficiais em rochas calcárias.
Em superfícies cobertas por rochas calcárias, muito permeáveis, os cursos d’água apresentam um elevado índice de infiltração nos solos, chegando muitas vezes a “sumir” por completo e a correr sobre um leito subterrâneo de rochas impermeáveis.
Quando isso acontece, o rio pode se deslocar por quilômetros até encontrar uma barreira formada por rochas impermeáveis ou atingir alguma encosta do relevo. No primeiro caso, as águas podem ser impelidas novamente para a superfície (como uma erupção, daí o uso do termo arroto). No segundo caso as águas despencam pelas vertentes do relevo como uma cachoeira (daí o uso da expressão cascata de rasgão).
Comentário: O adjetivo “misterioso” indica que o ponto de vista adotado na descrição não é o do cientista (geógrafo ou geólogo), mas o de um narrador dotado de um olhar lírico e subjetivo, que se encanta com os fenômenos naturais que não consegue explicar. Isso é corroborado pelo uso expressivo da pontuação e pelo emprego de termos que não pertencem ao vocabulário científico, como arroto.
CORRETA : E