(AFA - 2017)
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
– em que espelho ficou perdida
a minha face?
(MEIRELES, Cecília. Obra Poética de Cecília Meireles. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958.)
Analisando os versos do poema “Retrato”, assinale a opção correta.
Percebe-se que foi utilizado, no poema, o pronome “este” e suas variações, em referência a algo que, do ponto de vista espacial, está próximo do eu lírico.
A repetição do advérbio de modo “assim” (v. 2) reforça as características físicas do eu lírico no passado.
Em “Tão simples, tão certa, tão fácil” (v. 10), o advérbio em destaque foi empregado para atenuar as mudanças sofridas pelo eu lírico ao longo da vida.
A substituição da expressão “em que espelho” (v. 11) por “onde” poderia ocorrer sem provocar alteração no sentido e na sintaxe do verso original.
Gabarito:
Percebe-se que foi utilizado, no poema, o pronome “este” e suas variações, em referência a algo que, do ponto de vista espacial, está próximo do eu lírico.
a) Alternativa correta. O poema faz um paralelo entre o que o eu-lírico é e o que ele foi. O uso de "este" e suas variações marcam as características atuais do eu-lírico e foi empregado justamente por ter essa ideia de proximidade.
b) Alternativa incorreta. Diz respeito ao estado atual do eu-lírico, que se difere do que foi no passado.
c) Alternativa incorreta. A ideia de "tão" é de acentuar, não atenuar essas mudanças.
d) Alternativa incorreta. O sentido se alteraria, pois deixaria de especificar essa relação com o espelho, que denota uma autopercepção.
Dessa maneira, a alternativa correta é a letra A.