(AFA - 2017)
ENVELHECER
Arnaldo Antunes/ Ortinho/ Marcelo Jeneci
1 A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
2 A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer
3 Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer
4 Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer
5 Não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
6 Eu quero é viver para ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer
(...)
7 Pois ser eternamente adolescente nada é mais démodé* com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer
8 Não sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender
9 Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr.
(...)
( www.arnaldoantunes.com.br/new/sec_discografia_sel.php?id=679)
* démodé: fora de moda.
Assinale a alternativa que apresenta uma inferência correta
A expressão “vira a cara para o presente”, no verso 8, foi utilizada no sentido de encarar fixamente o presente.
O eu lírico destaca, nos versos de 2 a 4, apenas as perdas físicas que caracterizam a chegada da velhice.
Conservar os cabelos longos, quando já estão ralos devido à calvície, é uma atitude fora de moda.
No verso 1, é possível perceber uma alusão ao aumento da expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer tornou-se comum.
Gabarito:
No verso 1, é possível perceber uma alusão ao aumento da expectativa de vida na modernidade, já que envelhecer tornou-se comum.
a) Alternativa incorreta. A expressão “vira a cara para o presente” é usada no sentido de NÃO encarar fixamente o presente, ou seja, ignorá-la.
b) Altermativa incorreta. Não são carecterizadas nos versos 2 e 4 apenas as perdas físicas, mas acrescentados alguns ganhos e aprendizagens da velhice, como "A barba vai descendo" e "a gente aprendendo a esquecer".
c) Alternativa incorreta. O verso afirma "Nada é mais démodé com os ralos fios de cabelo sobre a testa que não para de crescer".
d) Alternativa correta. A afirmativa D corresponde com o que é afirmado ao longo do poema, principalmente, no primeiro verso: "A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer".