(ENEM - 2023)

Nas reportagens publicadas sobre a inauguração de Museu de Arte de São Paulo, em 1947, quando ele ainda ocupava um edifício na rua Sete de Abril, Lina Bo Bardi não foi mencionada nenhuma vez. A arquiteta era responsável pelo projeto do museu que mudaria para sempre a posição de São Paulo no circuito mundial das artes. Mas não houve nenhum registro disso. O louvor se concentrou em seu marido e parceiro profissional, o respeitado crítico de arte Pietro Maria Bardi. Passados 75 anos, a mulher então ignorada recebeu um Leão de Ouro póstumo, a maior homenagem da Bienal de Arquitetura de Veneza, e tem agora sua história contada em duas biografias de peso, que procuram destrinchar uma carreira marcada pela ousadia e pela contradição.
PORTO, W. Lina Bo Bardi tem sua arquitetura contraditória destrinchada em biografias. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).
As transformações pelas quais passaram as sociedades ocidentais e que possibilitaram o reconhecimento recente do trabalho da arquiteta mencionada no texto foram resultado das mobilizações sociais pela
equidade de gênero.
liberdade de expressão.
admissibilidade de voto.
igualdade de oportunidade.
reciprocidade de tratamento.
Gabarito:
equidade de gênero.
(A) Correta. O comando da questão se refere às mudanças sociais que possibilitaram o reconhecimento do trabalho da arquiteta, portanto, é necessário analisar qual foi a mudança de tratamento dado a ela ao longo do tempo que é descrita no texto. É possível perceber que, a partir do seu reconhecimento póstumo, a sociedade passa a tratar o seu trabalho da mesma forma que tratou, desde o passado, o trabalho de seu marido. Portanto, as mobilizações sociais buscaram a equidade entre os gêneros.
(B) Incorreta. A liberdade de expressão não é o assunto tratado ao longo do texto, apesar de ter sido uma reinvindicação importante no contexto da época. O grande desafio enfrentado pela arquiteta não é a possibilidade de expressar-se, mas sim obter o reconhecimento pelo seu trabalho da mesma forma que um homem.
(C) Incorreta. O sufrágio feminio foi, ao longo de muito tempo, uma pauta das mobilizações sociais feministas, porém, não é a mudança no contexto citado pela questão.
(D) Incorreta. Essa alternativa, apesar de expressar uma mobilização importante dos movimentos feministas, não está relacionada ao texto, tendo em vista que não faltou à arquiteta a oportunidade de realizar o seu trabalho. Na verdade, o seu trabalho foi feito, porém, não houve o reconhecimento igualitário em relação ao seu colega homem.
(E) Incorreta. O texto não aborda a reciprocidade no tratamento pelo fato de que a reciprocidade, nesse caso, não é a pauta das relações entre a arquiteta e o público. Tendo em vista que há um tratamento adequado ao seu colega homem, o texto expõe a desigualdade de tratamento especificamente a ela, que por ser mulher, não foi reconhecida pela sua obra.