(ENEM - 2023)
A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada por quem quer escapar ao processo de trabalho mecanizado para se pôr de novo em condições de enfrentá-lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização atingiu um tal poderio sobre a pessoa em seu lazer e sobre a sua felicidade, ela determina tão profundamente a fabricação das mercadorias destinadas à diversão que essa pessoa não pode mais perceber outra coisa senão as cópias que reproduzem o próprio processo de trabalho.
ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
No texto, o tempo livre é concebido como
consumo de produtos culturais elaborados no mesmo sistema produtivo do capitalismo.
forma de realizar as diversas potencialidades da natureza humana.
alternativa para equilibrar tensões psicológicas do dia a dia.
promoção da satisfação de necessidades artificiais.
mecanismo de organização do ócio e do prazer.
Gabarito:
consumo de produtos culturais elaborados no mesmo sistema produtivo do capitalismo.
(A) Correta. Segundo o autor, o capitalismo influencia de forma tão grande nas relações sociais e individuais dos sujeitos que, mesmo nos momentos de ócio e de lazer, as formas de diversão procuradas pelas pessoas ainda estão relacionadas a algum tipo de hábito ligado ao próprio capitalismo, como atividades de consumo, por exemplo.
(B) Incorreta. Como é demonstrado pelo texto, os momentos de lazer estão inseridos dentro da lógica capitalista, dessa forma, não há uma busca pela potencialidade da natureza humana, mas sim uma continuidade das lógicas utlizadas no momento de trabalho.
(C) Incorreta. Não há uma tentativa de equilíbrio entre os dois momentos e sim uma continuidade das mesma lógica produtiva de trabalho nos momentos de lazer.
(D) Incorreta. O texto não avalia de forma crítica se as necessidades são artificiais ou não, mas sim considera que a lógica produtiva permanece ao longo de momentos fora do trabalho.
(E) Incorreta. Apesar da alternativa E considerar que há uma organização dos momentos de ócio e prazer, ela não cita de que forma essa organização acontece, nem quais são as influências sobre esses momentos, que é justamente o raciocínio que o autor desenvolve no texto.