(ENEM - 2023)
Eu poderia concluir que a raiva é um pensamento, que estar com raiva é pensar que alguém é detestável, e que esse pensamento, como todos os outros — assim como Descartes o mostrou —, não poderia residir em nenhum fragmento de matéria. A raiva seria, portanto, espírito. Porém, quando me volto para minha própria experiência da raiva, devo confessar que ela não estava fora do meu corpo, mas inexplicavelmente nele.
MERLEAU-PONTY, M. Quinta conversa: o homem visto de fora. São Paulo: Martins Fontes, 1948 (adaptado).
No que se refere ao problema do corpo, a filosofia cartesiana apresenta-se como contraponto ao entendimento expresso no texto por
apresentar uma visão dualista.
confirmar uma tese naturalista.
demonstrar uma premissa realista.
sustentar um argumento idealista.
defender uma posição intencionalista.
Gabarito:
apresentar uma visão dualista.
(A) Correta. O texto apresente uma visão de que o sentimento (no caso, a raiva) estava presente tanto no corpo quanto na alma do sujeito. Porém, a visão dualista de Descartes entende que o homem é constituído por duas duas substâncias: A alma, que envolve o seu pensamento, e o corpo, que envolve suas ações. Portanto, o texto traz uma percepção única, ou seja, o pensamento e o corpo juntos num só, enquant a filosofia cartesiana possui a visão dualista.
(B) Incorreta. Uma tese naturalista está relacionada ao fato do indivíduo ser moldado pela sua época, e esse não é o contexto da questão, que envolve o entendimento da relação entre o pensamento e o corpo.
(C) Incorreta. Não há demonstração de uma premissa realista por parte do autor, mas sim um entendimento de unidade entre o corpo e a alma.
(D) Incorreta. Não há a formação de um argumento realista no texto.
(E) Incorreta. Uma posição intencionalista está relacionada a uma filosofia que compreende as ações somente a partir da sua intenção. No caso do texto, apesar de ser relatado o sentimento de raiva, essa não é o contraponto entre o entendimento do autor e o entendimento da filosofia cartesiana.