(ENEM PPL - 2022)
A um príncipe, portanto, não é necessário ter de fato todas as qualidades, mas é indispensável parecer tê-las. Aliás, ousarei dizer que, se as tiver e utilizar sempre, serão danosas, enquanto, se parecer tê-las, serão úteis. Assim, deves parecer clemente, fiel, humano, íntegro, religioso — e sê-lo, mas com a condição de estares com o ânimo disposto a, quando necessário, não o seres, de modo que possas e saibas como tornar-te o contrário.
MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2004 (adaptado).
Segundo o autor, a conquista e a conservação do poder político exigem a
flexibilidade moral do monarca.
retomada dos valores cristãos.
consulta periódica dos cidadãos.
adoção do imperativo categórico.
liberdade incondicional do estadista.
Gabarito:
flexibilidade moral do monarca.
a) Correta. flexibilidade moral do monarca.
De acordo com o autor, a conquista e a conservação do poder político exigem a flexibilidade moral do monarca, ou seja, a capacidade de parecer ter todas as qualidades necessárias para governar, mesmo que nem sempre as possua ou utilize. O autor argumenta que é mais útil para um príncipe parecer ser clemente, fiel, humano, íntegro e religioso, mas estar disposto a abandonar essas qualidades quando necessário para manter seu poder.
b) Incorreta. retomada dos valores cristãos.
Maquiavel rompe a relação com a tradição e entre a ética e a política, fundando o pragmatismo político.
c) Incorreta. consulta periódica dos cidadãos.
Maquiavel busca fortalecer o poder do monarca e não amparar esse tipo de prática.
d) Incorreta. adoção do imperativo categórico.
O imperativo categórico é uma noção de Kant, desenvolvida mais tarde e totalmente em oposição a Maquiavel.
e) Incorreta. liberdade incondicional do estadista.
Maquiavel não busca apoiar a liberdade incondicional do estadista, mas um tipo de prática política que use tanto de força quanto de benevolência.