(ENEM PPL - 2021)
Descobrimento
Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da rua Lopes Chaves
De supetão senti um friúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.
Não vê que me lembrei lá no norte, meu Deus!
[Muito longe de mim,
Na escuridão ativa da noite que caiu,
Um homem pálido, magro de cabelo escorrendo
[nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.
Esse homem é brasileiro que nem eu...
ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Villa Rica, 1993.
O poema modernista de Mário de Andrade revisita o tema do nacionalismo de forma irônica ao
referendar estereótipos étnicos e sociais ligados ao brasileiro nortista.
idealizar a vida bucólica do norte do país como alternativa de brasilidade.
problematizar a relação entre distância geográfica e construção da nacionalidade.
questionar a participação da cultura autóctone na formação da identidade nacional.
propalar uma inquietação desfavorável quanto à aceitação das diferenças socioculturais.
Gabarito:
problematizar a relação entre distância geográfica e construção da nacionalidade.
a) Alternativa incorreta. Ele não reforça estereótipos, ele se vale de um grupo que realmente existe e é diferente dele, mas não diz nada sobre todo nortista ser desse modo ou algo assim.
b) Alternativa incorreta. Ele apenas compara as duas vivências e compreende, então, que ambos são brasileiros. Não se trata de uma alternativa ou algo assim.
c) Alternativa correta. Apesar da distância (apontada nos versos, que relacionam São Paulo e o Norte do país), o eu lírico chega à conclusão de que os dois são brasileiros e possuem entre si muitas diferenças quanto suas vidas. Ele coloca ele e o outro na mesma situação tanto no norte quanto em São Paulo, e, assim, a relação nacionalidade/distância é posta em cheque.
d) Alternativa incorreta. Ele não questiona a participação do indígena em relação à constituição da imagem nacional, mas sim compreende que ele também faz parte dessa imagem, em paralelo a muitas outras coisas.
e) Alternativa incorreta. Justamente o contrário se faz nesse poema, entendendo que todas essas realidades fazem parte do Brasil e do brasileiro.