(ENEM - 2021)
Se for possível, manda-me dizer:
— É lua cheia. A casa está vazia —
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
— É lua nova —
E revestida de luz te volto a ver.
HILST, H. Júbilo, memória, noviciado da paixão. São Paulo: Cia das Letras, 2018.
Falando ao outro, o eu lírico revela-se vocalizando um desejo que remete ao
ceticismo quanto à possibilidade do reencontro.
tédio provocado pela distância física do ser amado.
sonho de autorrealização desenhado pela memória.
julgamento implícito das atitudes de quem se afasta.
questionamento sobre o significado do amor ausente.
Gabarito:
sonho de autorrealização desenhado pela memória.
a) Incorreta. O eu-lírico não demonstra ceticismo, visto que seus versos exprimem a angústia de quem deseja uma reciprocidade no amor e, portanto, também o encontro com o amado.
b) Incorreta. A ausência do amado provoca angústia no eu-lírico, não tédio.
c) Correta. Há um sonho por trás do que o eu lírico diz, ao imaginar como seria se ele tivesse essa "amada" a quem ele se refere ao seu lado, dissertando sobre como seria o encontro entre os dois, associado com algo que já viveram: "E se te lembras do brilho das marés...".
d) Incorreta. Não há um julgamento, mas um desejo de reencontro.
e) Incorreta. O amor ausente é só uma pequena parte da reflexão do eu lírico, que busca pensar mais sobre o encontro do que a ausência.