(ENEM PPL - 2021)
Ata Geral da Conferência de Bruxelas, 2 de julho de 1890
As potências declaram que os meios mais eficazes para combater a escravatura no interior da África são os seguintes:
1º — A organização progressiva dos serviços administrativos judiciais, religiosos e militares nos territórios da África, colocados sob a soberania ou sob protetorado das nações civilizadas;
2º — O estabelecimento gradual no interior, pelas potências de quem dependem os territórios, de estações fortemente ocupadas, de maneira que a sua ação protetora ou repressiva possa se fazer sentir com eficácia nos territórios assolados pela caçada ao homem.
Disponível em: www.fd.unl.pt. Acesso em: 21 jan. 2015.
No contexto da colonização da África do século XIX, o recurso ao argumento civilizatório apresentado no texto buscava legitimar o(a)
estabelecimento de governos para a constituição de Estados nacionais.
submissão de espaços para alterar as relações de produção.
delimitação de jurisdições para bloquear a expansão capitalista.
defesa do continente para encerrar as contínuas guerras civis.
reconhecimento da alteridade para preservar as práticas tribais.
Gabarito:
submissão de espaços para alterar as relações de produção.
a) Incorreta. No texto, há a defesa de que os serviços administrativos sejam “colocados sob a soberania ou sob protetorado das nações civilizadas (leia-se europeias)”, logo, não se trata de um desejo de estabelecer Estados nacionais, mas sim de subjugar territórios da África.
b) Correta. Essa é uma ideia que aparece por todo o texto: “As potências declaram que os meios mais eficazes para combater a escravatura [são] (…) A organização progressiva dos serviços administrativos judiciais, religiosos e militares (…) O estabelecimento gradual no interior, pelas potências de quem dependem os territórios, de estações fortemente ocupadas (…)”. Ou seja, medidas foram tomadas, pelos europeus, para efetivar o plano de alterar as relações.de produção no continente africano, o que envolvia a subjugação dos territórios.
c) Incorreta. Buscava-se bloquear, na verdade, “a escravatura no interior da África”, e esta iniciativa envolvia interesses capitalistas por parte das “potências de quem dependem os territórios”, cujos capitalismos se expandiam.
d) Incorreta. Não há, no texto, menção a guerras civis: a “ação protetora ou repressiva” dos europeus visava “combater a escravatura no interior da África”. Ou seja, o objetivo não era proteger o continente, mas alterar as relações de produção.
e) Incorreta. Como “alteridade”, em termos básicos, significa “enxergar e respeitar o outro, o diferente”, o argumento civilizatório do texto é o contrário disto: os colonizadores europeus não se preocupavam em respeitar práticas tribais, tanto que estavam dispostos a alterar as relações de produção africanas para garantir seus próprios interesses.