(ENEM - 2021)
Eu, Dom Joao, Pela graça de Deus, faço saber a V. Mercê que me aprouve banir para essa cidade vários ciganos - homens, mulheres, e crianças - devido ao seu escandaloso procedimento neste reino. Tiveram ordem de seguir em diversos navios destinados a esse porto e, tendo eu proibido, por lei recente, o uso da sua língua habitual, ordeno a V. Mercê que cumpra essa lei sob ameaça de penalidades, não permitindo que ensinem dita língua a seus filhos, de maneira que daqui por diante o seu uso desapareça.
TEIXEIRA, R. C. Hístória dos ciganos no Brasil. Recife. Núcleo de Estudos Ciganos, 2008.
A ordem emanada da Coroa portuguesa para sua colônia americana, em 1718, apresentava um tratamento da identidade cultural pautado em
converter grupos infiéis à religião oficial.
suprimir formas divergentes de interação social.
evitar envolvimento estrangeiro na economia local.
reprimir indivíduos engajados em revoltas nativistas.
controlar manifestações artísticas de comunidades autóctones.
Gabarito:
suprimir formas divergentes de interação social.
a) converter grupos infiéis à religião oficial.
Incorreta. O texto não diz respeito a religião. Se refere apenas a linguagem.
b) suprimir formas divergentes de interação social.
Correta. Ao proibir os ciganos de se comunicarem em sua língua própria a Coroa Portuguesa expressa sua tentativa de moldar a identidade cultural de seu Império. Toda forma divergente de interação social, que se distancia o padrão estabelecido pela Coroa é suprimido.
c) evitar envolvimento estrangeiro na economia local.
Incorreta. O texto não cita um impedimento dos ciganos de se envovlerem na economia local. Apenas retringe o uso de sua língua própria.
d) reprimir indivíduos engajados em revoltas nativistas.
Incorreta. A ordem da Coroa não indica envolvimento dos ciganos em revoltas nativistas.
e) controlar manifestações artísticas de comunidades autóctones.
Incorreta. A ordem da Coroa não indica nada sobre manifestações artísticas no geral. A ordem é bem direcionada ao uso da língua.