(ENEM PPL - 2021)
A “África” tem sido incessantemente recriada e desconstruída. A “África” tem sido um ícone contestado, tem sido usada e abusada, tanto pela intelectualidade quanto pela cultura de massas; tanto pelo discurso da elite quanto pelo discurso popular sobre a nação e os povos que, supostamente, criaram e se misturaram no Novo Mundo; e, por último, tanto pela política conservadora como pela progressista.
SANSONE, L. Da África ao afro: uso e abuso da África entre os intelectuais e na cultura popular brasileira durante o século XX. Afro-Ásia, v. 27, 2002.
As diferentes significações atribuídas à África, citadas no texto, são consequências do(a)
identidade folclórica da população.
desenvolvimento científico da região.
multiplicidade linguística do território.
desconhecimento histórico do continente.
invisibilidade antropológica da comunidade.
Gabarito:
desconhecimento histórico do continente.
a) Incorreta. O texto não menciona o folclore africano, mas sim o contexto de usos e abusos tanto pela elite quanto pelos populares, tanto pelo conservadorismo quanto pelo progressismo. Os discursos danosos à África não são relativos à identidade especificamente folclórica, mas à identidade africana em geral.
b) Incorreta. Não há, no texto, menção ao desenvolvimento científico da África: a história africana não é constantemente “recriada e desconstruída” por conta do nível da Ciência africana, mas por causa de diversos discursos que, de um lado ou de outro do espectro, constroem uma variedade de significações atribuídas ao continente africano.
c) Incorreta. O aspecto linguístico não é apontado no texto como um fator. A variedade no discurso relativo à África não gira em torno da diversidade linguística, mas sim das próprias ideias contidas em cada discurso.
d) Correta. Como vemos no texto, a África tem sido usada e abusada “tanto pela intelectualidade quanto pela cultura de massas; tanto pelo discurso da elite quanto pelo discurso popular sobre a nação e os povos que, supostamente, criaram e se misturaram no Novo Mundo”. É o desconhecimento histórico sobre o continente que leva a esta incessante contestação, fundamentada em elementos relativos à história da colonização do novo mundo, que por sua vez molda os discursos sobre a ideia de nação.
e) Incorreta. A intelectualidade, apontada no texto, inclui os discursos antropológicos sobre a África: o ponto é que estes discursos carecem de rigor científico, o que explica porque a “A 'África' tem sido incessantemente recriada e desconstruída […] usada e abusada”