(ENEM PPL - 2021)
O nacionalismo curdo é um nacionalismo muito antigo. Os curdos são um povo que tem uma língua própria, uma cultura, uma história, uma tradição. O Curdistão já existe no papel, num tratado do início dos anos 1920, mas que depois foi quebrado porque não interessava nem aos turcos, nem ao Irã e, principalmente, à Grã-Bretanha e à França, que eram as potências dominantes na região. Então, o nacionalismo curdo é consequência dessa história.
RAUPP, E.; SPARREMBERGER, V. Entrevista com Luiz Antônio Araújo: perspectivas sobre o Oriente Médio. Novas Fronteiras: Revista Acadêmica de Relações Internacionais da ESPM-Sul, n. 1, jan.-jun. 2015 (adaptado).
Um empecilho para a autodeterminação da nação em questão é o(a)
limite imposto pelo espaço natural.
controle religioso sobre reservas petrolíferas.
imposição do idioma pelo colonizador europeu.
distribuição da população por diferentes países.
divisão do território por fundamentalistas islâmicos.
Gabarito:
distribuição da população por diferentes países.
a) Incorreta. Como vemos no texto, o empecilho foi porque “não interessava nem aos turcos, nem ao Irã e, principalmente, à Grã-Bretanha e à França, que eram as potências dominantes na região”. Ou seja, não foram limites impostos pelo espaço natural, mas pelas relações sociopolíticas que marcam a dinâmica da região.
b) Incorreta. Não há, no texto, menção a questões relativas ao petróleo ou à religião como obstáculos à autodeterminação da nação curda. Ademais, as reservas petrolíferas do Curdistão são posteriores e o controle religioso não é um grande fator neste aspecto.
c) Incorreta. No texto, vemos que "Os curdos são um povo que tem uma língua própria, uma cultura, uma história, uma tradição." Seu idioma não é o europeu, e a língua, especificamente, não é apontada como um empecilho para a autodeterminação da nação curda, mas como um elemento importante desta nacionalidade.
d) Correta. Esse é um empecilho apresentado no seguinte trecho: "O Curdistão já existe no papel, num tratado do início dos anos 1920, mas que depois foi quebrado porque não interessava nem aos turcos, nem ao Irã e, principalmente, à Grã-Bretanha e à França, que eram as potências dominantes na região. Então, o nacionalismo curdo é consequência dessa história." Ou seja, a autodeterminação da nação curda não era conveniente aos países vizinhos (Turquia, Irã), cuja população se intersecta ao Curdistão, e nem às potências coloniais (Grã-Bretanha, França), que dominava territórios da região.
e) Incorreta. O texto não menciona o islamismo ou algum fundamentalismo religioso: mesmo que Curdistão, Turquia e Irã sejam países onde a religião islâmica é popular, a oposição à autodeterminação curda não se baseiam em ideais fundamentalistas, mas em relações sociopolíticas envolvendo a distribuição populacional. Ademais, Grã-Bretanha e França não têm o islamismo como viés.