(ENEM - 2021)
Minha fórmula para o que há de grande no indivíduo é amor fati: nada desejar, além daquilo que é, nem diante de si, nem atrás de si, nem nos séculos dos séculos. Não se contentar em suportar o inelutável, e ainda menos dissimulá-lo, mas amá-los.
NIETZSCHE, apud FERRY, L. Aprender a viver: filosofia para os novos tempos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010 (adaptado).
Essa fórmula indica por Nietzsche consiste em uma crítica à tradição cristã que
combate as práticas sociais de cunho afetivo.
impede o avanço científico no contexto moderno.
associa os cultos pagãos à sacralização da natureza.
condena os modelos filosóficos da Antiguidade Clássica.
consagra a realização humana ao campo transcendental.
Gabarito:
consagra a realização humana ao campo transcendental.
e) Correta. consagra a realização humana ao campo transcendental.
Essa é a base da crítica de Nietzsche à tradição cristã, que o leva a denominá-la como uma nova espécie de platonismo, ao, segundo sua ótica, desconsiderar o mundo material em detrimento de um mundo transcendente e vindouro.
a) Incorreta. combate as práticas sociais de cunho afetivo.
A crítica não formula suas críticas ao cristianismo porque traz um combate às práticas sociais de cunho afetivo, já que há elementos afetivos na tradição cristã e ela combate determinadas práticas sociais.
b) Incorreta. impede o avanço científico no contexto moderno.
Nietzsche critica tanto a tradição cristã como a ciência — concebendo-a como uma nova espécie de religião — orientada pelo espírito apolíneo, pela razão socrática.
c) Incorreta. associa os cultos pagãos à sacralização da natureza.
Embora a tradição cristã possa realizar de fato essa crítica, não é essa a base da crítica de Nietzsche a ela, pois ele não toma a natureza como sagrada.
d) Incorreta. condena os modelos filosóficos da Antiguidade Clássica.
Na verdade, a tradição cristã se utiliza de elementos de modelos filosóficos da Antiguidade Clássica (embora possa trazer, da mesma forma, críticas aos mesmos), e o próprio Nietzsche condena a Antiguidade Clássica por sua orientação apolínea e ordenadora das coisas, desconsiderando a dimensão dionisíaca.