(ENEM DIGITAL - 2020)
No aluir das paredes, no ruir das pedras, no esfacelar do barro, havia um longo gemido. Era o gemido soturno e lamentoso do Passado, do Atraso, do Opróbrio. A cidade colonial, imunda, retrógrada, emperrada nas velhas tradições, estava soluçando no soluçar daqueles apodrecidos materiais que desabavam. Mas o hino claro das picaretas abafava esse projeto impotente. Com que alegria cantavam elas — as picaretas regeneradoras! E como as almas dos que ali estavam compreendiam o que elas diziam, no clamor incessante e rítmico, celebrando a vitória da higiene, do bom gosto e da arte.
BILAC, O. Crônica (1904). Apud SEVCENKO, N. Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1995.
De acordo com o texto, a “picareta regeneradora” do alvorecer do século XX significava a
erradicação dos símbolos monárquicos.
restauração das edificações seculares.
interrupção da especulação imobiliária.
reconstrução das moradias populares.
reestruturação do espaço urbano.
Gabarito:
reestruturação do espaço urbano.
a) erradicação dos símbolos monárquicos.
Incorreto. Grande parte dos símbolos monárquicos não foram erradicados, mas ganharam nova interpretação.
b) restauração das edificações seculares.
Incorreto. A reforma “modernizadora" desconsiderou edifícios seculares, muitos dos quais foram derrubados, em nome do progresso que tanto almejavam naquele contexto.
c) interrupção da especulação imobiliária.
Incorreto. A especulação imobiliária não era preocupação da reforma de 1904.
d) reconstrução das moradias populares.
Incorreto. Naquele contexto, não houve uma preocupação com a melhoria das moradias populares. Na verdade muitas foram demolidas na região central do Rio de Janeiro para dar lugar às avenidas e praças.
e) reestruturação do espaço urbano.
Correta. A “picareta regeneradora" foi um símbolo da reforma urbana do prefeito Pereira Passos, feita no Rio de Janeiro, com o objetivo de modernizar a cidade.