(ENEM DIGITAL - 2020)
Há um tempo, belas e boas são todas as ações justas e virtuosas. Os que as conhecem nada podem preferir-lhes. Os que não as conhecem, não somente não podem praticá-las como, se o tentam, só cometem erros. Assim praticam os sábios atos belos e bons, enquanto os que não o são só podem descambar em faltas. E se nada se faz justo, belo e bom que não pela virtude, claro é que na sabedoria se resumem a justiça e todas as mais virtudes.
XENOFONTE. Ditos e feitos memoráveis de Sócrates. Apud CHALITA, G. Vivendo a filosofia. São Paulo: Ática, 2005.
Ao fazer referência ao conteúdo moral da filosofia socrática narrada por Xenofonte, o texto indica que a vida virtuosa está associada à
aceitação do sofrimento como gênese da felicidade suprema.
moderação dos prazeres com vistas à serenidade da alma.
contemplação da physis como fonte de conhecimento.
satisfação dos desejos com o objetivo de evitar a melancolia.
persecução da verdade como forma de agir corretamente.
Gabarito:
persecução da verdade como forma de agir corretamente.
e) Correta. persecução da verdade como forma de agir corretamente.
A questão pode ser respondida apenas por interpretação. O pequeno texto envolve tópicos de ética, sobre a prática moral, relacionados com a virtude e a justiça; ademais, para fortalecer a compreensão da questão, Xenofontes, um dos três autores (Platão, Xenofontes e Aristófanes) que falaram sobre Sócrates, envolve a vida desse personagem histórico sobre uma ótica moralista, ao contrário da ótica filosófica de Platão e sofista de Aristófanes. Portanto, essa é a única alternativa que corresponde ao texto, tendo em mente a busca pela verdade em direção a um bom proceder, uma prática verdadeira e correta.
a) Incorreta. aceitação do sofrimento como gênese da felicidade suprema.
O trecho não envolve o sofrimento, não se refere à qualquer tipo de dor ou padecimento para adquirir a felicidade, logo não pode ser essa alternativa. Aliás, essa é uma compreensão estoica.
b) Incorreta. moderação dos prazeres com vistas à serenidade da alma.
O trecho não se refere a uma moderação dos prazeres tendo como fim a serenidade da alma, não há qualquer menção nele dessa perspectiva. Ademais, essa é uma ótica epicurista, acerca da ataraxia da alma.
c) Incorreta. contemplação da physis como fonte de conhecimento.
O trecho não menciona uma contemplação da physis como fonte de conhecimento, ou qualquer ideia de uma investigação da natureza, mesmo uma discussão epistemológica sobre a origem do conhecimento, pois não envolve questões dessa natureza. Aliás, essa é uma preocupação dos pré-socráticos
d) Incorreta. satisfação dos desejos com o objetivo de evitar a melancolia.
O trecho não aposta na via hedonista, como enunciado nessa alternativa, cuja opção pode representar o caminho diametralmente oposto ao que é postulado na citação de Xenofonte.