(ENEM PPL - 2020)
A humanidade, a humanidade do homem, ainda é um conceito completamente novo para o filósofo que não cochila em pé. A velha questão do próprio homem continua por ser inteiramente reelaborada, não apenas em relação às ciências do vivo, não apenas em relação ao que se nomeia com essa palavra geral, homogênea e confusa, o animal, mas em relação a todos os traços que a metafísica reservou ao homem e que nenhum deles resiste à análise.
DERRIDA, J. Papel-máquina. São Paulo: Estação Liberdade, 2004.
No trecho, caracteriza-se o seguinte tema fundamental do pensamento filosófico contemporâneo:
Crise do sujeito.
Relativismo ético.
Virada linguística.
Teoria da referência.
Crítica à tecnociência.
Gabarito:
Crise do sujeito.
a) Correta. Crise do sujeito.
Derrida problematiza o fato de não conhecermos quem somos.
b) Incorreta. Relativismo ético.
No trecho em questão, não está sendo tratado o problema da ética, acerca do que é certo ou errado, bom ou mau, numa perspectiva relativista.
c) Incorreta. Virada linguística.
Embora seja um tópico do Derrida, não é algo que o filósofo está tratando no enunciado. O problema do homem não se conhecer não ocorre apenas porque existe o problema da linguagem e do fato de o conhecimento ser sempre mediado. Embora a virada linguística tenha uma intersecção com o tema da crise do sujeito, não é a mesma coisa, com ênfases diferentes.
d) Incorreta. Teoria da referência.
A teoria da referência refere-se à lógica e sobre a teoria da linguagem, e não tem ligação com o tema tratado.
e) Incorreta. Crítica à tecnociência.
O trecho não volta-se ao conhecimento que o homem pode ter, relacionado à tecnologia ou às ciências, porém sobre o conhecimento de si mesmo.