(ENEM Digital - 2020)
Princípios práticos são subjetivos, ou máximas, quando a condição é considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua vontade; são, por outro lado, objetivos, quando a condição é válida para a vontade de todo ser natural.
KANT, I. Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70, 2008.
A concepção ética presente no texto defende a
universalidade do dever.
maximização da utilidade.
aprovação pelo sentimento.
identificação da justa medida.
obediência à determinação divina.
Gabarito:
universalidade do dever.
a) Correta. universalidade do dever.
A questão implica em um conhecimento prévio da doutrina filosófica de Kant, pois o trecho, em si, não dá a resposta totalmente; neste, afirma-se dois tipos de ética, uma subjetiva e prática, aplicada ao particular, e uma segunda, objetiva, aplicada ao universal. A ética deontológica de Kant constrói uma noção de dever baseada no imperativo categórico, que relaciona-se com esse segundo tipo de ética, objetiva e universal, validada pela razão e sem amparo na experiência.
b) Incorreta. maximização da utilidade.
A maximização da utilidade é uma teoria utilitarista, que tem como característica o consequencialismo, validada pela experiência. Foi sustentada pelos filósofos Jeremy Bentham e John Stuart Mill, ambos críticos de Kant. A filosofia kantiana está totalmente oposta a noção de maximização da utilidade.
c) Incorreta. aprovação pelo sentimento.
Essa é uma aprovação que depende da validação empírica e é particular por natureza, não tendo uma aplicabilidade universal, como visava a ética deontológica de Kant. Portanto, o filósofo prussiano defendia uma noção totalmente oposta a essa, que está mais associada ao empirismo de Hume.
d) Incorreta. identificação da justa medida.
A noção da justa medida é aristotélica, e não de Kant. Ela visa identificar o meio termo entre os extremos morais, e identifica a prudência moral com o equilíbrio. A justa medida está associada à ética das virtudes, a noção de Aristóteles.
e) Incorreta. obediência à determinação divina.
Kant, como iluminista e defensor da razão autônoma, busca legitimar um tipo de perspectiva moral que se sustente, de modo autônomo, na razão, sem apoio na religião.