(ENEM DIGITAL - 2020)
O fim último, causa final e desígnio dos homens, ao introduzir uma restrição sobre si mesmos sob a qual os vemos viver nos Estados, é o cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita; quer dizer, o desejo de sair da mísera condição de guerra que é a consequência necessária das paixões naturais dos homens, como o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. É necessário um poder visível capaz de mantê-los em respeito, forçando-os, por medo do castigo, ao cumprimento de seus pactos e ao respeito às leis, que são contrárias a nossas paixões naturais.
HOBBES, T. M. Leviatã. São Paulo: Nova Cultural, 1999 (adaptado).
Para o autor, o surgimento do estado civil estabelece as condições para o ser humano
internalizar os princípios morais, objetivando a satisfação da vontade individual.
aderir à organização política, almejando o estabelecimento do despotismo.
aprofundar sua religiosidade, contribuindo para o fortalecimento da Igreja.
assegurar o exercício do poder, com o resgate da sua autonomia.
obter a situação de paz, com a garantia legal do seu bem-estar.
Gabarito:
obter a situação de paz, com a garantia legal do seu bem-estar.
e) Correta. obter a situação de paz, com a garantia legal do seu bem-estar.
Para Hobbes, o contrato visa assegurar aos cidadãos a paz, a fim de que haja bem-estar para estes por meio de um poder forte e soberano capaz de punir o mal e limitar o estado de natureza do ser humano. Assim, seria garantidos a vida social e os benefícios daí decorrentes.
a) Incorreta. internalizar os princípios morais, objetivando a satisfação da vontade individual.
Em Hobbes, não há internalização de princípios morais, algo que é mais um traço da filosofia aristotélica — a interiorização das virtudes por meio do hábito, formando uma segunda natureza. Embora os princípios filosóficos de Hobbes traçam um tip ode egoísmo moral, para a satisfação da vontade individual, essa dimensão de internalização não existe, antes, a submissão a um poder externo e mais forte capaz de refrear as paixões dos indivíduos pelo medo.
b) Incorreta. aderir à organização política, almejando o estabelecimento do despotismo.
Não há o intuito de estabelecer um despotismo por meio da aderência do individuo em Hobbes; embora seja o estabelecimento de um poder forte capaz de limitar as ações dos indivíduos, este tem o dever de estabelecer a paz na sociedade para possibilitar a conservação da vida de seus cidadãos e uma vida social.
c) Incorreta. aprofundar sua religiosidade, contribuindo para o fortalecimento da Igreja.
Em Hobbes, inaugura-se a secularização do estado, com uma interpretação — numa estrutura mecanicista — secular do poder estatal.
d) Incorreta. assegurar o exercício do poder, com o resgate da sua autonomia.
A noção contratualista de Hobbes visa justamente limitar a autonomia do ser humano, pois o livre exercício do poder do indivíduo traria, segundo sua concepção, uma sociedade caótica, sempre em guerra, devido ao estado de natureza do ser humano.