Publicidade
Publicidade

Questão 43

ENEM 2019
Português

(ENEM - 2019 - PROVA AMARELA)

A viagem

Que coisas devo levar
nesta viagem em que partes?
As cartas de navegação só servem
a quem fica.
Com que mapas desvendar
um continente
que falta?
Estrangeira do teu corpo
tão comum
quantas línguas aprender
para calar-me?
Também quem fica
procura
um oriente.
Também a quem fica
cabe uma paisagem nova
e a travessia insone do desconhecido
e a alegria difícil da descoberta.
O que levas do que fica,
o que, do que levas retiro?

MARQUES, A. M. In: SANT’ANNA, A. (Org.). Rua Aribau. Porto Alegre: Tag, 2018.

A viagem e a ausência remetem a um repertório poético tradicional. No poema, a voz lírica dialoga com essa tradição, repercutindo a

A

saudade como experiência de apatia.

B

presença da fragmentação da identidade.

C

negação do desejo como expressão de culpa.

D

persistência da memória na valorização do passado.

E

revelação de rumos projetada pela vivência da solidão.

Gabarito:

revelação de rumos projetada pela vivência da solidão.



Resolução:

A) INCORRETA: O poema, dimensionado, sim, pela saudade, não revela um horizonte de apatia. Vemos um eu lírico que é transformado pela experiência da separação. "Também a quem fica/ cabe uma paisagem nova/ e a travessia insone do desconhecido/ e a alegria difícil da descoberta.";

B) INCORRETA: Não percebemos uma fragmentação da identidade (ou seja, uma quebra em diversas partes, facetas), mas sim um esvaziamento dessa identidade. Ela se perde, e não se fragmenta, como vemos em: "Com que mapas desvendar/ um continente/ que falta?"; 

C) INCORRETA: O eu lírico, nesse poema, não revela um sentimento de culpa, e tampouco nega seu desejo. Há, por outro lado, um desejo por conhecer o desconhecido, de ter direito a novos horizontes diante da ausência do outro. As perguntas dirigidas a um "tu" transferem a responsabilidade do ocorrido a esse tu, mas não numa culpa nostálgica - mas sim motivadora da busca do eu; 

D) INCORRETA: Vemos que a direção existencial do poema não é o passado, e sim o futuro ("Que coisas devo levar/ nesta viagem em que partes?", "cabe uma paisagem nova"; "e a alegria difícil da descoberta."). Não há uma persistência de memória, mas sim de indefinições e desmemórias (que línguas? que rotas? que caminhos? que mapas?). Um espiral de vazio e indefinição que conduz a novos rumos. 

E) CORRETA: A alternativa que melhor revela o conteúdo do poema: o esvaziamento gerado pela viagem do outro abre para o "eu", diante da solidão, a possibilidade de novos caminhos, descobertas, "rumos" - uma via de autoconhecimento e reconhecimento. A viagem e a ausência remetem a um repertório poético tradicional:  as cantigas de amigo do Trovadorismo - Idade Média. No poema, a voz lírica dialoga com essa tradição, ao repercutir a revelação de rumos projetada pela vivência da solidão, conforme apontam os versos:

Também quem fica
procura
um oriente.
Também a quem fica
cabe uma paisagem nova
e a travessia insone do desconhecido
e a alegria difícil da descoberta.

Questões relacionadas

Questão 6

(ENEM - 2019 - PROVA AMARELA) Um amor desse  Era 24 horas lado a lado Um radar na pele, aquele sentimento alucinado Coração batia acelerado Bastava um olhar pra eu entender Que er...
Ver questão

Questão 37

(ENEM - 2019 - PROVA AMARELA) O projeto DataViva consiste na oferta de dados oficiais sobre exportações, atividades econômicas, localidades e ocupações profissionais...
Ver questão

Questão 9

(ENEM - 2019 - PROVA AMARELA) Meu caro Sherlock Holmes, algo horrível aconteceu às três da manhã no Jardim Lauriston. Nosso homem que estava na vigia viu uma luz às...
Ver questão

Questão 8

(ENEM - 2019 - PROVA AMARELA) Mídias: aliadas ou inimigas da educação física escolar? No caso do esporte, a mediação efetuada pela câmara televisiva c...
Ver questão
Publicidade