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Questão 31

ENEM 2019
História

(ENEM - 2019)

Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo todas as formas de campos de concentração. Vistos de fora, os campos e o que neles acontece só podem ser descritos com imagens extraterrenas, como se a vida fosse neles separada das finalidades deste mundo. Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível que termina levando à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal. 

ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989 (adaptado). 

A partir da análise da autora, no encontro das temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à naturalização do(a): 

A

Ideário nacional, que legitima as desigualdades sociais. 

B

Alienação ideológica, que justifica as ações individuais. 

C

Cosmologia religiosa, que sustenta as tradições hierárquicas. 

D

Segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos. 

E

Enquadramento cultural, que favorece os comportamentos punitivos. 

Gabarito:

Segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos. 



Resolução:

D: Na obra "As origens do totalitarismo", Arendt investiga a forma como a segregação e o confinamento de grupos humanos são naturalizados, e também como essa naturalização leva "à aceitação do extermínio como solução perfeitamente normal". No contexto do nazismo, a eugenia é um projeto biopolítico.

Arendt, analisando a situação dos prisioneiros nos campos de concentração, afirma que a crueldade vivida nessa realidade tornava a vida "irreal", de forma que o extermínio se tornava tolerável. A possibilidade de morte era dessensibilizada, "aceitável", diante daquela forma de vida, que era em si insuportável. A segregação de judeus, deficientes físicos e homossexuais foi um projeto biopolítico do nazismo, na medida em que era a solução final de um projeto racial de extermínio e, também, parte dos projetos de extensão do III Reich alemão.

A análise da autora critica a naturalização da segregação humana, que fundamenta os projetos biopolíticos. 

 

A, C e E: Não há uma crítica, na fala da autora, ao ideário nacional, à cosmologia religiosa ou ao enquadramento cultural.

B: A ideologia não é usada para justificar ações individuais. Além disso, a autora utiliza as imagens de isolamento, arame farpado e campo para remeter à segregação humana.

 

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