(ENEM - 2018)
Um dos teóricos da democracia moderna, Hans Kelsen, considera elemento essencial da democracia real (não da democracia ideal, que não existe em lugar nenhum) o método da seleção dos líderes, ou seja, a eleição. Exemplar, neste sentido, é a afirmação de um juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos, por ocasião de uma eleição de 1902: "A cabine eleitoral é o templo das instituições americanas, onde cada um de nós é um sacerdote, ao qual é confiada a guarda da arca da aliança e cada um oficia do seu próprio altar".
BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 (adaptado).
As metáforas utilizadas no texto referem-se a uma concepção de democracia fundamentada no(a)
justificação teísta do direito.
rigidez da hierarquia de classe.
ênfase formalista na administração.
protagonismo do Executivo no poder.
centralidade do individuo na sociedade.
Gabarito:
centralidade do individuo na sociedade.
O texto fala sobre a importância que o pensador Kelsen atribui ao processo eleitoral, método de seleção dos líderes na democracia, no que diz respeito à legitimação do regime democrático. A democracia, o governo de todos, se faz valer através da participação periódica direta de cada cidadão, concretizada nas eleições e no voto individual, secreto, universal. A frase proferida por um juiz da Corte Suprema dos Estados Unidos em 1902 ilustra essa ideia, ao comparar as urnas eleitorais aos templos, os eleitores aos sacerdotes, o voto à arca da aliança. Ou seja, o juiz atribui importância "divina" à forma de se escolher os representantes na democracia, equiparando o processo eleitoral à guarda de um objeto sagrado (a democracia, a liberdade, os direitos), exercida por cada um dos membros do grupo.
E: Assim, a metáfora utilizada denota uma concepção de democracia baseada na centralidade do individuo na sociedade.
A: A democracia não se fundamenta na justificação teísta do direito, que legitima o "poder divino".
B: O texto não aponta que a democracia se baseia na hierarquia de classe.
C: Não enfatiza as formalidades na administração política.
D: Aponta para o protagonismo do cidadão no processo democrático e, assim, no poder.