(ENEM PPL - 2018)
Muitos trabalhos recentes de arte digital não consistem mais em objetos puros e simples, que se devem admirar ou analisar, mas em campos de possibilidades, programas geradores de experiências estéticas potenciais. Se já era difícil decidir sobre a paternidade de um produto da cultura técnica, visto que ela oscilava entre a máquina e os vários sujeitos que a manipulam, a tarefa agora torna-se ainda mais complexa.
Se quisermos complicar ainda mais o esquema da criação nos objetos artísticos produzidos com meios tecnológicos, poderíamos incluir também aquele que está na ponta final do processo e que foi conhecido pelos nomes (hoje inteiramente inapropriados) de espectadores, ouvintes ou leitores: numa palavra, os receptores de produtos culturais.
MACHADO, A. Máquina e imaginário: o desafio das poéticas tecnológicas. São Paulo: Edusp, 1993 (adaptado).
O autor demonstra a crise que os meios digitais trazem para questões tradicionais da criação artística, particularmente, para a autoria. Essa crise acontece porque, atualmente, além de clicar e navegar, o público
analisa o objeto artístico.
anula a proposta do autor.
assume a criação da obra.
interfere no trabalho de arte.
impede a atribuição de autoria.
Gabarito:
interfere no trabalho de arte.
A) INCORRETA: não está sendo falado sobre a análise de uma obra, que é uma ação que não muda a estrutura do produto de análise. No texto, há a discussão sobre a alteração desse material.
B) INCORRETA: no texto em voga não se coloca que o público anula auqilo que o produtor fez, mas essa produção é necessária para que os receptores sejam capazes de agir sobre ela.
C) INCORRETA: uma vez que o texto ainda mantém que a criação de uma obra vem do seu produtor, e não do seu receptor. No entanto, o receptor pode alterar a obra já produzida, segundo percepção que o autor do excerto realizou.
D) CORRETA: é possível perceber na argumentação do autor desse texto que o seu principal argumento diz respeito ao fato de que a obra deixou de ser um produto criado por um autor e apenas "apreciado" pelo seu receptor, mas sim um objeto possível de sofrer mudanças pela forma como seu receptor interage com ele, ocorrendo, portanto, uma interferência.
E) INCORRETA: não se observa um movimento em que o receptor impede que a autoria seja atribuida ao produtor de determinado material, mas o que é discutido gira entorno da manipulação da obra que antes não era debatida.