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Questão 43

ENEM 2018
Português

(ENEM PPL - 2018) 

Ela parecia pedir socorro contra o que de algum modo involuntariamente dissera. E ele com os olhos miúdos quis que ela não fugisse e falou:
— Repita o que você disse, Lóri.
— Não sei mais.
— Mas eu sei, eu vou saber sempre. Você literalmente disse: um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa, mas seremos um só.
— Sim.
Lóri estava suavemente espantada. Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois seus olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta? Não, não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade. Ah, milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz e preferem a mediocridade. Ela se despediu de Ulisses quase correndo: ele era o perigo.

LISPECTOR, C. Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1990.

A obra de Clarice Lispector alcança forte expressividade em razão de determinadas soluções narrativas. No fragmento, o processo que leva a essa expressividade fundamenta-se no

A

desencontro estabelecido no diálogo do par amoroso.

B

exercício de análise filosófica conduzido pelo narrador.

C

registro do processo de autoconhecimento da personagem.

D

discurso fragmentado como reflexo de traumas psicológicos.

E

afastamento da voz narrativa em relação aos dramas existenciais.

Gabarito:

registro do processo de autoconhecimento da personagem.



Resolução:

a) INCORRETA, já que não ocorre um desencontro, na verdade o diálogo é o que causa à expressividade narrativa, enfatizado no último parágrafo.

b) INCORRETA, pois a digressão filosófica não é conduzida pelo narrador, mas sim fruto do diálogo entre as duas personagens.

c) CORRETA, uma vez que o foco do fragmento é na realização de Lóri sobre a felicidade, cujo gatilho foi a frase dita por ela e repetida por Ulisses. Esse processo é descrito no último parágrafo, através da mudança da voz narrativa e por diversas perguntas feitas pela própria personagem a si mesma, todas de cunho altamente reflexivo.

d) INCORRETA, pois o discurso não se apresenta fragmentado, ele é apenas curto, com um enfoque maior do texto nos pensamentos e sentimentos de Lóri.

e) INCORRETA, uma vez que a voz narrativa não se afasta dos dramas existenciais, pelo contrário, os evidencia e descreve detalhadamente.

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