(ENEM PPL - 2018)
TEXTO I
TEXTO II
Manuel da Costa Ataíde (Mariana, MG, 1762-1830), assim como os demais artistas do seu tempo, recorria a bíblias e a missais impressos na Europa como ponto de partida para a seleção iconográfica das suas composições, que então recriava com inventiva liberdade.
Se Mário de Andrade houvesse conseguido a oportunidade de acesso aos meios de aproximação ótica da pintura dos forros de Manuel da Costa Ataíde, imaginamos como não teria vibrado com o mulatismo das figuras do mestre marianense, ratificando, ao lado de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a sua percepção pioneira de um surto de racialidade brasileira em nossa terra, em pleno século XVIII.
FROTA, L. C. Ataíde: vida e obra de Manuel da Costa Ataíde. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
O Texto II destaca a inovação na representação artística setecentista, expressa no Texto I pela
reprodução de episódios bíblicos.
retratação de elementos europeus.
valorização do sincretismo religioso.
recuperação do antropocentrismo clássico.
incorporação de características identitárias.
Gabarito:
incorporação de características identitárias.
[E]
Ataíde e Aleijadinho, mestres do Barroco tardio brasileiro, revelam um estilo peculiar (não por representar passagens bíblicas, ou basear-se em modelos modelos europeus), mas sim pela possibilidade de um resgate identitário e inspiração figurativa autóctone para composição das figuras - que ficam, assim, mais populares e brasileiras. Como revela o Texto II, há uma "inventiva liberdade" que permite aos artistas a invenção de uma " racialidade brasileira [...] em pleno século XVIII".