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Questão 40

ENEM 2018
Português

(ENEM - 2018 - PROVA AMARELA)

Aconteceu mais de uma vez: ele me abandonou. Como todos os outros. O quinto. A gente já estava junto há mais de um ano. Parecia que dessa vez seria para sempre. Mas não: ele desapareceu de repente, sem deixar rastro. Quando me dei conta, fiquei horas ligando sem parar -mas só chamava, chamava, e ninguém atendia. E então fiz o que precisava ser feito: bloqueei a linha.

A verdade é que nenhum telefone celular me suporta. Já tentei de todas as marcas e operadoras, apenas para descobrir que eles são todos iguais: na primeira oportunidade, dão no pé. Esse último aproveitou que eu estava distraído e não desceu do táxi junto comigo. Ou será que ele já tinha pulado do meu bolso no momento em que eu embarcava no táxi? Tomara que sim. Depois de fazer o que me fez, quero mais é que ele tenha ido parar na sarjeta. [...1 Se ainda fossem embora do jeito que chegaram, tudo bem. [...] Mas já sei o que vou fazer. No caminho da loja de celulares, vou passar numa papelaria. Pensando bem, nenhuma das minhas agendinhas de papel jamais me abandonou.

FREIRE, R Come, de novo. O Estado do S. Paulo, 24 nov. 2006

Nesse fragmento, a fim de atrair a atenção do leitor e de estabelecer um fio condutor de sentido, o autor utiliza-se de 

A

primeira pessoa do singular para imprimir subjetividade ao relato de mais uma desilusão amorosa.

B

ironia para tratar da relação com os celulares na era de produtos altamente descartáveis.

C

frases feitas na apresentação de situações amorosas estereotipadas para construir a ambientação do texto.

D

quebra de expectativa como estratégia argumentativa para ocultar informações.

E

verbos no tempo pretérito para enfatizar uma aproximação com os fatos abordados ao longo do texto.

Gabarito:

frases feitas na apresentação de situações amorosas estereotipadas para construir a ambientação do texto.



Resolução:

A) INCORRETA: porque não se pode afirmar que o uso da 1ª pessoa é um recurso de "chamamento" ao leitor, uma vez que não há nenhum apelo especial na impressão dessa subjetividade. Além disso, não se pode afirmar que o texto é o "relato de mais uma desilusão amorosa", uma vez que o assunto da crônica é a relação (não amorosa) com um objeto, o celular.

B) INCORRETA: porque, apesar de uma linguagem bem humorada e que ironiza a relação entre celulares e seus "donos", a ênfase não é na ideia de "produtos descartáveis". O celular é visto, por outro lado, como bem tão precioso e perene que o "término" é visto como momento de tristeza. Não há um enfoque no descarte, e o trecho que deseja atrair o leitor (o parágrafo inicial) não deixa evidente, ainda, a crítica tecida pelo cronista - que só se revela com a quebra de expectativa promovida pelo segundo o parágrafo, que ressignifica as expressões clichês para o plano de relações materiais.

C) CORRETA: pois no começo do texto contém lugares-comuns dos discurso de ruptura amorosa (“Ele me abandonou”, “como todos os outros”, “Ele desapareceu de repente”) aparentando ser uma situação de um conflito amoroso, porém essa abordagem é colocada quando o autor fala sobre os problemas dos aparelhos celulares.

D) INCORRETA: porque ao longo do texto percebe uma construção temática progressiva sem a quebra da expectativa.

E) INCORRETA: porque o uso dos verbos no pretérito está relacionado com o relato abordado pelo personagem.

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