(ENEM LIBRAS - 2017)
Entre o século XII e XIII, a recrudescência das condenações da usura é explicada pelo temor da Igreja ao ver a sociedade abalada pela proliferação da usura, quando muitos homens abandonam sua condição social, sua profissão, para tornarem-se usuários. No século XIII, o papa Inocêncio IV teme a deserção dos campos, devido ao fato de os camponeses terem se tornado usurários ou estarem privados de gado e de instrumentos de trabalho pertencentes aos possuidores de terras, eles próprios atraídos pelos ganhos da usura. A atração pela usura ameaça a ocupação dos solos e da agricultura e traz o espectro da fome.
LE GOFF, J. A bolsa e a vida: economia e religião na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 2004 (adaptado).
A atitude da Igreja em relação à prática em questão era motivada pelo interesse em
suprimir o debate escolástico.
regular a extração de dízimos.
diversificar o padrão alimentar.
conservar a ordem estamental.
evitar a circulação de mercadorias.
Gabarito:
conservar a ordem estamental.
“A atitude da Igreja em relação à prática em questão era motivada pelo interesse em”
A prática em questão é a usura esta é basicamente o empréstimo de dinheiro a juros. A Igreja condenava essa prática pois está se cobrando pelo tempo; e o tempo é de Deus, só se pode lucrar a partir do trabalho, apenas este é digno.
O texto diz:
“Entre o século XII e XIII, a recrudescência das condenações da usura”
Ou seja, nestes séculos houve um aumento das condenações sobre a prática da usura e logo depois ele explica o porquê disso:
“é explicada pelo temor da Igreja ao ver a sociedade abalada pela proliferação da usura, quando muitos homens abandonam sua condição social, sua profissão, para tornarem-se usurários. [...] A atração pela usura ameaça a ocupação dos solos e da agricultura e traz o espectro da fome.”
Neste contexto, podemos inferir que o interesse da Igreja ao condenar a prática da usura era principalmente:
a) suprimir o debate escolástico.
Incorreta. A Igreja defendia o debate escolástico, este era a conciliação entre o pensamento racional e o pensamento cristão.
b) regular a extração de dízimos.
Incorreta. A prática da usura, o empréstimo de dinheiro a juros, não tem relação nenhuma com a cobrança do dízimo realizada pela Igreja Católica
c) diversificar o padrão alimentar.
Incorreta. No final do texto o autor diz “a atração pela usura ameaça a ocupação dos solos e da agricultura e traz o espectro da fome.” A preocupação não estava sobre a diversificação do padrão alimentar, na alteração do cardápio diário e sim na falta de alimento, pois esta causa revoltas que são ameaças a ordem vigente
d) conservar a ordem estamental.
Correta. A ordem estamental precisava ser conservada, caso não fosse algum ponto da organização social deste período iria ficar desfalcado. No caso da usura, os camponeses encontraram nesta uma alternativa mais atrativa para se alcançar o lucro, uma melhor condição de vida, do que o trabalho no campo. Neste cenário a estrutura estamental é alterada, há uma mobilidade social o camponês consegue acumular um pouco de capital e inicia a formação de uma nova classe social. Sem os camponeses no campo quem irá produzir? Logo, encontramos aí o interesse e a necessidade em se manter a ordem estamental.
e) evitar a circulação de mercadorias.
Incorreta. A Igreja não condenava e não enxergava na circulação de mercadorias uma ameaça. A circula de mercadorias era necessária para sobrevivência de todos. O problema estava no empréstimo de dinheiro a juros.