(ENEM 2016)
Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco devolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.
ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a)
legado social.
patrimônio político.
produto da moralidade.
conquista da humanidade.
ilusão da contemporaneidade.
Gabarito:
ilusão da contemporaneidade.
a) legado social.
Incorreta. Para Adorno, a cultura é moldada pelas diretrizes do capitalismo, tornando-se um objeto de consumo - desse modo, a escolha se torna uma imposição, um fruto do capitalismo, e não um legado social.
b) patrimônio político.
Incorreta. Por meio da cultura pode-se moldar certos aparelhos de controle ideológico, mas, para Adorno, tal molde não é atribuído à politicagem e sim à indústria cultural.
c) produto da moralidade.
Incorreta. Tal aspecto não encampa a teoria em questão.
d) conquista da humanidade.
Incorreta. Como relata o texto e a teoria em questão, tal liberdade é inexistente, uma "liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa", logo, tal liberdade ainda não foi de fato conquistada.
e) ilusão da contemporaneidade.
Correta. Adorno defende em sua teoria, que a liberdade de escolha é algo que acaba sendo imposto, uma vez que a sociedade remete o indivíduo a gostar das mesmas coisas por meio da cultura de massa.