(ENEM PPL - 2016)
Ainda os equívocos no combate aos estrangeirismos
Por que não se reconhece a existência de norma nas variedades populares? Para desqualificá-las? Por que só uma norma é reconhecida como norma e, não por acaso, a da elite? Por tantos equívocos, só nos resta lamentar que algumas pessoas, imbuídas da crença de que estão defendendo a língua, a identidade e a pátria, na verdade estejam reforçando velhos preconceitos e imposições. O português do Brasil há muito distanciou-se do português de Portugal e das prescrições dos gramáticos, cujo serviço às classes dominantes é definir a língua do poder em face de ameaças - internas e externas.
ZILLES, A. M. S. In: FARACO, C. A. (Org.). Estrangeirismos: guerras em torno da língua. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).
O texto aborda a linguagem como um campo de disputas e poder. As interrogações da autora são estratégias que conduzem ao convencimento do leitor de que
o português do Brasil é muito diferente do português de Portugal.
as prescrições dos gramáticos estão a serviço das classes dominantes.
a norma linguística da elite brasileira é a única reconhecida como tal.
o português do Brasil há muito distanciou-se das prescrições dos gramáticos.
a desvalorização das variedades linguísticas populares tem motivação social.
Gabarito:
a desvalorização das variedades linguísticas populares tem motivação social.
a) INCORRETA, já que apesar de o texto dizer que as duas variedades da língua portuguesa são muito diferentes, este não é o objetivo estratégico das interrogações que a autora faz.
b) INCORRETA, pois a problematização acerca dos gramáticos é feita diretamente, como uma lamentação, no fim do texto.
c) INCORRETA, pois este fato é explicitado já nas perguntas, e uma vez que já foi feita a colocação, não é este o objetivo estratégico da utilização das interrogações.
d) INCORRETA, uma vez que logo na primeira frase do texto a autora já afirma, dentro da pergunta, que existem diversas modalidades da língua portuguesa utilizada no Brasil, que diferem muito do português brasileiro contido nas gramáticas tradicionais.
e) CORRETA, já que ao colocar as perguntas ao leitor, a autora está o conduzindo para esta conclusão, por meio do mecanismo tanto de questionamento, quanto de contraposição, já que ela utiliza o termo "elite", que é em si um termo que tem conotação social, além disso, o termo "variedades populares" também conduz o leitor a pensar que a língua também é um fenômeno social mutável, capaz de refletir a realidade social.