(ENEM PPL - 2016)
A mulher entra no quarto do filho decidida a ter uma conversa séria. De novo, as respostas dele à interpretação do texto na prova sugerem uma grande dificuldade de ler. Dispersão pode ser uma resposta para parte do problema. A extensão do texto pode ser outra, mas nesta ela não vai tocar porque também é professora e não vai lhe dar desculpas para ir mal na escola. Preguiça de ler parece outra forma de lidar com a extensão do texto. Ele está, de novo, no computador, jogando. Levanta os olhos com aquele ar de quem pode jogar e conversar ao mesmo tempo. A mãe lhe pede que interrompa o jogo e ele pede à mãe “só um instante para salvar”. Curiosa, ela olha para a tela e espanta-se com o jogo em japonês. Pergunta-lhe como consegue entender o texto para jogar. Ele lhe fala de alguma coisa parecida com uma “lógica de jogo” e sobre algumas tentativas com os ícones. Diz ainda que conhece a base da história e que, assim, mesmo em japonês, tudo faz sentido. Aquela conversa acabou sendo adiada. A mãe-professora, capturada por outros sentidos de leitura, não se sentia pronta naquele momento. Consciente, suspende a ação.
BARRETO, R. G. Formação de professores, tecnologias e linguagens: mapeando velhos e novos (des)encontros. São Paulo: Loyola, 2002 (adaptado).
A reação da mãe-professora frente às habilidades da “geração digital” contemporânea reflete o desafio que se tem enfrentado de
aplicar as mesmas formas de ler textos impressos a textos digitais.
interpretar as várias informações na leitura de textos em multimídia.
lidar com as novas práticas de leitura que emergem com a tecnologia.
superar as dificuldades de leitura geradas pelos jogos de computadores.
trabalhar a dificuldade de leitura usando as tecnologias como ferramentas.
Gabarito:
lidar com as novas práticas de leitura que emergem com a tecnologia.
a) INCORRETA, já que a forma de ler tanto textos digitais ou impressos é a mesma.
b) INCORRETA, pois apesar de este ser um desafio contemporâneo, dada a quantidade de conteúdo e informações que pdoem ser acessadas através da internet, este não é o ponto principal abordado pela mãe-professora.
c) CORRETA, já que o filho é um exemplo de que as práticas e a forma como os textos são apresentados podem influenciar na produtividade e desenvolvimento da leitura, pois apesar de ele ir mal na escola em termos de produção de texto, ele sabe ler em japonês, uma língua muito diferente do português, já que aprendeu jogando, ou seja, em um formato não convencional, que foi introduzido com os avanços tecnológicos.
d) INCORRETA, já que o filho tem facilidade em ler os textos contidos nos jogos de computador.
e) INCORRETA, pois a mãe-professora fica surpresa ao perceber as possibilidades de utilização das tecnologias como ferramentas de leitura, não encarando isso como um desafio, mas sim parando para refletir sobre.