(ENEM - 2016)
TEXTO I
Entrevistadora – eu vou conversar aqui com a professora A. D. ... o português então não é uma língua difícil?
Professora – olha se você parte do princípio... que a língua portuguesa não é só regras gramaticais... não se você se apaixona pela língua que você... já domina que você já fala ao chegar na escola se o teu professor cativa você a ler obras da literatura... obras da/ dos meios de comunicação... se você tem acesso a revistas... é... a livros didáticos... a... livros de literatura o mais formal o e/ o difícil é porque a escola transforma como eu já disse as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.
TEXTO II
Entrevistadora – Vou conversar com a professora A. D. O português é uma língua difícil?
Professora – Não, se você parte do princípio que a língua portuguesa não é só regras gramaticais. Ao chegar à escola, o aluno já domina e fala a língua. Se o professor motivá-lo a ler obras literárias, e se tem acesso a revistas, a livros didáticos, você se apaixona pela língua. O que torna difícil é que a escola transforma as aulas de língua portuguesa em análises gramaticais.
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001 (adaptado).
O Texto I é a transcrição de uma entrevista concedida por uma professora de português a um programa de rádio. O Texto II é a adaptação dessa entrevista para a modalidade escrita. Em comum, esses textos
apresentam ocorrências de hesitações e reformulações.
são modelos de emprego de regras gramaticais.
são exemplos de uso não planejado da língua.
apresentam marcas da linguagem literária.
são amostras do português culto urbano.
Gabarito:
são amostras do português culto urbano.
A) INCORRETA: pois as hesitações são marcas somente da transcrição feita no texto I, traço esse que podemos identificar através das reticiências no meio das sentenças (...), separando verbos, artigos, etc.
B) INCORRETA: o texto II é um bom exemplo de emprego das regras gramaticais, mas como o texto I é a transcrição de uma fala, modo de comunicação que possui muitos erros no momento da enunciação, não podemos dizer que se trata de um modelo de regras gramaticais
C) INCORRETA: o texto I é um bom exemplo de uso não planejado da língua, até porque se demonstra que, mesmo que a pergunta do entrevistador seja programada, a resposta do entrevistado não. Por outro lado, como o texto II é uma adequação do primeiro, não pode ser considerado espontâneo, mas deliberadamente programado.
D) INCORRETA: A linguagem literária se caracteriza por um uso diferencial das palavras: figuração, narração, recursos sonoros, personagens e ficcionalidade são alguns dos possíveis aspectos de um texto literário. Nesses trechos não há evidência alguma de uma intenção ou uso literário. O anúncio da entrevistadora de que fará a pergunta, bem como a resposta que se volta para uma explicação mostram o teor pragmático dos textos e sua função social delimitada pelo gênero "entrevista".
E) CORRETA: Os textos I e II apresentam versões diferentes de um mesmo conteúdo. No primeiro, existe transcrição direta da entrevista oral, enquanto que, no segundo, se verifica a transposição do diálogo para a modalidade escrita. Não existem marcas de desvio a regras normativas gramaticais, nem no primeiro, nem no segundo.