(ENEM - 2016)
Quem procura a essência de um conto no espaço que fica entre a obra e seu autor comete um erro: é muito melhor procurar não no terreno que fica entre o escritor e sua obra, mas justamente no terreno que fica entre o texto e seu leitor.
OZ, A. De amor e trevas. São Paulo: Cia. das Letras, 2005 (fragmento).
A progressão temática de um texto pode ser estruturada por meio de diferentes recursos coesivos, entre os quais se destaca a pontuação. Nesse texto, o emprego dos dois pontos caracteriza uma operação textual realizada com a finalidade de
comparar elementos opostos.
relacionar informações gradativas.
intensificar um problema conceitual.
introduzir um argumento esclarecedor.
assinalar uma consequência hipotética.
Gabarito:
introduzir um argumento esclarecedor.
A) INCORRETA: apresenta a hipótese de que eles são utilizados para comparar elementos, o que não é o caso, já que no trecho o autor apresenta o seu ponto de vista, de que é um erro procurar a essência do conto entre o texto e o autor, utilizando os dois pontos para esclarecer de onde esse ponto de vista surgiu, o que levou a ele, não ocorrendo uma comparação entre o certo e o errado.
B) INCORRETA: os dois pontos não iniciam uma informação gradativa, mas o que vemos logo após os "dois pontos" é uma informação dada de forma direta, com a justifica vindo logo na sequência.
C) INCORRETA: a questão da intensificação do problema conceitual não é construída pelo dois pontos, mas por todo contexto apresentado no texto, especialmente quando é dito que quem realiza determinada ação "comete um erro".
D) CORRETA: Em "Quem procura a essência de um conto no espaço que fica entre a obra e seu autor comete um erro: é muito melhor procurar não no terreno que fica entre o escritor e sua obra, mas justamente no terreno que fica entre o texto e seu leitor.", o uso dos dois-pontos introduz um aposto. Esse termo explica e argumenta sobre a melhor estratégia para se encontrar a essência do conto.
E) INCORRETA: pois o que vemos depois dos "dois pontos" não é uma consequência nem é hipotética, mas sim uma explicação da afirmação anterior com proriedade e certeza do que está sendo dito.